Beatriz Castilho
redacao@grupojbr.com
Com risco iminente de morte, a idosa Almiralice dos Santos, de 78 anos, espera desde a última sexta-feira (30) uma vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A aposentada foi diagnosticada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) com quadro grave de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico – quando parte do fornecimento de sangue ao cérebro é interrompido, a paciente. Mesmo amparada por medida judicial, Almiralice não obteve a vaga. A alegação da Secretaria de Saúde é uma suposta falta de leitos.
Desesperada, uma das filhas de Almiralice, a advogada Maria do Socorro Nunes, entrou com uma petição para tentar agilizar o caso. Na quarta-feira (4), recebeu antecipação de tutela da juíza Carmen Nicea Nogueira Bittencourt. Pela ordem judicial, a paciente deveria ser transferida para uma UTI pública ou privada até hoje (6), às 17h30, o que não aconteceu por falta de vagas. “Estamos indignados porque pagamos impostos pra quando precisar do serviço, ter o respaldo do governo, o que nós não tivemos. E se minha mãe morrer, o que acontece?”, questiona Luciana Nunes, 43, também filha da aposentada.
O caso
Após passar mal em casa, na sexta-feira (30), a família da paciente decidiu levá-la ao Hospital Regional de Taguatinga. “Minha irmã viu ela passar mal e espumar pela boca. Chegou a desmaiar antes de ir para o carro”, conta Luciana. Ao chegar lá, pela urgência do caso, foi encaminhada para a ala vermelha, caracterizada como emergencial.
O atendimento aconteceu com um médico geral, pela falta de um neurologista. “O médico era atencioso, mas um hospital daquele tamanho não ter neurologista é falta de qualidade de serviço”, opina Luciana. Após o diagnóstico, a família ficou sabendo que não haveria espaço para a internação, em UTI, da mãe. Quando foi solicitada a transferência da paciente, outra surpresa: não existiam outros leitos disponíveis em todo DF.
Desde então, a aposentada continua na ala emergencial, sedada e entubada. “Minha irmã foi hoje (6/4) lá e os médicos não querem mais deixar a entubação. Acho que é prematuro porque ela ainda não recebeu tratamento”, conta Luciana.
Almiralice é hipertensa, e faz o uso de medicamentos para controlar. Além disso, teve trombose há um ano, que ocasionou a perda de um pedaço do dedo do pé.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que a paciente continua internada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), onde foi atendida, medicada e passou por exames. De acordo com o GDF, Almiralice está na fila por uma vaga de UTI na rede pública e privada. Enquanto isso, “ela permanece sob cuidados da equipe médica e de enfermagem do local”, segundo o breve comunicado da pasta, que não justificou o descumprimeito da medida judicial.



