Menu
Brasília

Garis permanecem em greve até o final da semana

Arquivo Geral

14/10/2014 7h40

A greve dos garis durou apenas dois dias, tempo mais que suficiente para tumultuar o trabalho de coleta. Mesmo após o término da paralisação, na última sexta-feira, o serviço ainda não  foi plenamente restabelecido e há diversas regiões com lixo acumulado. A situação é prejudicial  à saúde de quem vive, trabalha ou circula por esses locais.

Nas quadras 101, 102, 302 e 303 do Sudoeste, não é difícil encontrar contêineres abarrotados de sacos de lixo. Em alguns, há sacos amontoados nos arredores das lixeiras. 

Antônio Carlos Ferreira, ajudante de um restaurante na Quadra  101  do Sudoeste, reclama do acúmulo de lixo em frente ao estabelecimento. “Os contêineres estão transbordando. Já faz uma semana que os garis não passam aqui. Somente  nós depositamos lixo molhado neles quatro vezes ao dia, então imagina a situação”, alerta.

Ele também reclama do mau cheiro e do aumento de insetos na quadra. “Os clientes reclamam do cheiro forte, que piora com sol quente, e a cozinha está cheia de mosquitos”, afirma.

Asa Norte

Na parte residencial da  406 Norte, a situação se repete. O eletricista Sérgio Carvalho, 37 anos, acha legítimo o movimento de greve, mas não concorda com uma paralisação total. “Os contêineres estão lotados há dias. Além disso, estamos prestes a entrar em um período de chuvas. Esse lixo solto pode entupir os bueiros e causar transtornos”, diz.

Suzana Cristina Pereira, dona de uma banca de revistas da quadra, confirma a versão do vizinho. “Durante a greve o lixo ficou acumulado próximo a uma placa de trânsito do outro lado da rua. Dessa forma, quando ventava, o mau cheiro vinha todo para cá. Inconformados com a situação, os   moradores se uniram e levaram o lixo para um local mais afastado”, conta.

E na Quadra  2  do Setor de Autarquias Norte, os sacos de lixo acumulados nas esquinas podiam ser vistos de longe. “Está difícil até andar pela calçada com essa quantidade de lixo”, diz Leandro Batista, servidor   de 42 anos, que trabalha na região. 

Empresa pode ser substituída

A empresa Sustentare  informou que, em virtude da grande quantidade de lixo acumulado, colocou caminhões e mão de obra extra nas ruas. “Acreditamos que até sexta-feira o trabalho será normalizado. Mas pode ser que consigamos antes. Este foi o prazo dado pelo Serviço de Limpeza Urbana  (SLU)  para que a coleta voltasse ao normal”, esclarece. O SLU, por sua vez, diz que, se até o final da semana não forem apresentadas medidas eficazes, vai preparar a substituição da empresa. “A coleta atrasada, de  aproximadamente   1,4 mil toneladas por dia, pode ser regularizada na razão de três dias de funcionamento normal para cada dia paralisado”, informou o órgão.

A origem do problema

Garis da empresa Sustentare  decidiram cruzar os braços na última quarta-feira para reivindicar o pagamento do salário, tíquete-alimentação e vale transporte. Os funcionários  afirmaram estar enfrentando problemas para receber há, pelo menos, cinco meses. 
A empresa garantiu que faria os repasses aos 2.054 empregados.  Mas, como o pagamento não aconteceu, a greve seguiu até o dia seguinte, quando a empresa negociou os atrasos e os garis se comprometeram a voltar a trabalhar.  
 
Por nota, a Sustentare informou que o SLU atrasou o repasse do dinheiro referente a  setembro. O SLU, por sua vez, afirmou    que não tinha   nem tem pendência financeira com a terceirizada, e notificou a empresa a retomar o serviço sob pena de multa. 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado