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Gama tem cultura resgatada com reinauguração do Cine Itapuã

A previsão é que o espaço, fechado desde 2005, reabra as portas ainda neste primeiro semestre

Por Mayra Dias 12/01/2022 5h47
Local se tornou alvo de inúmeras e recorrentes queixas por parte da população local. Foto: Divulgação/Secec

“Estamos diante de uma grande joia do Gama e do Distrito Federal. Esse espaço carrega consigo um baú de memórias afetivas desse povo ativamente cultural”, declara o secretário de Cultura e Economia Criativa (Secec) em exercício, Carlos Alberto Júnior, a respeito do Cine Itapuã do Gama. O local, recentemente, entrou para o rol de espaços culturais da pasta e transformou-se em um grande canteiro de obras. A reforma é o primeiro passo para que a Secec reative o espaço e esta etapa, como afirma o gestor, será concluída ainda este mês. “A previsão é que a primeira fase da obra seja entregue até o fim de janeiro”, declarou Carlos Alberto.

Com o aporte de R$ 463.355,04, a secretaria deu início a obra em outubro de 2021, com os serviços de manutenção do telhado, impermeabilização de todas as paredes e pintura da fachada frontal da edificação. “Após a conclusão dessa etapa, a Secec cuidará de questões de acabamento da sala e da licitação para aquisição de mobiliário e equipamentos tecnológicos para a exibição dos filmes”, enfatiza o secretário. Como ele explica, foi pensando garantir a segurança da edificação, que a Secec investiu na parte estrutural para a primeira fase das obras, uma vez que o prédio estava colapsando.

Valor cultural

Localizado na Praça Lourival Bandeira, o cineteatro representa um marco para os movimentos culturais da cidade do Gama, transmitindo, de maneira simultânea, filmes do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro (FBCB). O espaço, contudo, mesmo sendo vanguarda do cinema candango, sofreu com anos de abandono, até ser fechado definitivamente em 2005. Com isso, o local se tornou alvo de inúmeras e recorrentes queixas por parte da população local, que ficou sem cinema na cidade.

A pauta surgiu após uma visita técnica realizada pelo secretário de cultura, Bartolomeu Rodrigues ao ambiente. A Administração Regional do Gama, diante de tal fato, formalizou o pedido de apoio da pasta, tanto para a revitalização, quanto para assumir a gestão e programação cultural de um dos espaços mais significativos da capital federal. Após tratativas assertivas, o Itapuã passou, finalmente, a ser de responsabilidade total da secretaria no fim de agosto. Com os problemas estruturais diagnosticados, as portas do local foram reabertas para finalmente restaurá-lo.

Na década de 1980, alguns empresários do Gama compraram o espaço e doaram ao Governo do DF. Este, por sua vez, transferiu a gestão do local para a Administração Regional da cidade. Diante disso, e com a finalidade de debater sobre a reativação do centro cultural, a deputada Júlia Lucy (Novo) realizou, em maio de 2021, uma audiência pública remota com representantes de entidades e iniciativas culturais e do Poder Executivo. Na ocasião, com o intuito de apresentar uma saída para a questão, a subsecretária de economia sugeriu então o uso da lei de incentivo à cultura, para que a Administração Regional conseguisse um parceiro. “O agente cultural, enquadra o projeto na Secretaria de Cultura via renúncia fiscal, onde é feito um projeto para essa restauração, que é permitido pela legislação”, sugeriu Érica Lewis.

“O nosso cinema já chegou a contemplar um palco onde, além de receber os filmes, também recebia várias atividades culturais. Nós já tivemos o Festival de Cinema de Brasília acontecendo no Cine Itapuã, já tivemos o Festival de Música e já fizemos um Festival Internacional de Bonecos, onde levamos grupos da Itália para se apresentar no cinema”, salienta o presidente do Conselho de Cultura do Gama, Marco Augusto, ressaltando a importância histórica do cine. O presidente ainda destacou, na época, que o espaço vivia em situações precárias que geram gastos ao Estado sem oferecer nenhuma manifestação cultural no local.

“O antigo cinema, que já foi o segundo maior do Distrito Federal, tem capacidade para 500 pessoas e recebia apresentações teatrais e shows”, conta Carlos. Fundado em 1963, o cinema era referência na cidade de quase 150 mil habitantes, e que não possui outro espaço cinematográfico. Os planos da Secec, assim, são reativar o espaço com programação cultural gestada pela secretaria. A previsão, como revela o gestor, é que isso aconteça ainda no primeiro semestre de 2022. “Devolver um espaço desta magnitude para a população é estimular a formação de novos públicos e o exercício da cidadania para as próximas gerações”, finaliza Carlos Alberto.

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