O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), deflagrou nesta quinta-feira, 15 de maio, a segunda fase da Operação Krampus. A ação tem como foco aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na contratação e execução do evento “Natal Encantado 2024”, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).
Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em endereços do Distrito Federal, com autorização da 8ª Vara Criminal de Brasília. As investigações apuram indícios de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em um contrato de R$ 14,3 milhões firmado entre a Secec e a Associação Amigos do Futuro.
De acordo com o MPDFT, a Associação teria sido utilizada como uma entidade de fachada, sem capacidade operacional para executar o evento. A suspeita é de que a maior parte dos recursos públicos foi repassada a um grupo de empresários que já mantinham relações de amizade e negócios com o presidente da entidade.
Além do possível direcionamento na escolha da Associação, a apuração revelou indícios de superfaturamento de aproximadamente R$ 5,8 milhões. Segundo o Gaeco, o contrato sofreu alterações significativas após a seleção da entidade: o número de locais previstos para o evento foi reduzido de quatro para apenas um — a Esplanada dos Ministérios —, mas, ao invés de queda no valor contratado, houve um aumento injustificado.
Outras irregularidades apontadas incluem a duplicação de itens e serviços no orçamento, contratação de serviços não previstos inicialmente e a execução parcial de obrigações contratuais, como a entrega reduzida de banheiros químicos e a ausência de ambulâncias e postos médicos.
A segunda fase da Operação Krampus contou com o apoio do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), da Polícia Civil do DF. O objetivo, segundo o MPDFT, é reunir novas provas que permitam desarticular completamente o suposto esquema criminoso e responsabilizar todos os envolvidos.
A primeira fase da operação foi deflagrada em 30 de dezembro de 2024, durante o recesso do Judiciário, o que contribuiu para acelerar o avanço das investigações.