Os moradores do Distrito Federal evitam cada vez mais andar pelas ruas à noite, pela insegurança causada por uma onda persistente de vandalismo e ataques à iluminação pública. Nos primeiros três meses de 2026, a CEB Ipes registrou o furto de 21 quilômetros de cabos elétricos em todo o DF, o que gerou um prejuízo de R$ 432 mil para a companhia. Segundo a Neoenergia, nesse mesmo período, foram registradas 386 ocorrências e tentativas de furto do tipo.
Dessas ocorrências, 241 foram registradas no Plano Piloto (Asa Sul e Asa Norte). O prejuízo estimado nesse período chegou a R$ 100 mil. Na Asa Norte, os moradores reclamam da recorrência desse tipo de crime e dos transtornos gerados. Os apagões constantes e o sentimento de insegurança são companhias diárias de quem mora nessa região. A servidora pública Fátima Gomes, 70 anos, mora na 216 Norte e, ao JBr, afirmou que os furtos de cabos elétricos na região são constantes. “Por aqui se normalizou isso. Durante o dia e a noite. Eles roubam os cabos, a gente chama a polícia e nada é resolvido. Toda semana nós ficamos sem energia na quadra.”

Ela reforçou que o problema acontece em todas as quadras da cidade, mas que antigamente a quadra onde mora costumava ser mais segura. Hoje em dia, ela tem medo de andar na quadra depois das 17h. “E isso afeta quem trabalha na região também”, acrescentou. Ela foi proprietária de uma loja no comércio da Asa Norte, mas foi assaltada e decidiu fechar, desanimada com a falta de segurança.
Fátima mora na mesma quadra há mais de 30 anos; por isso, observou que o problema começou de uns tempos para cá. “Eles não têm respeito mais e a polícia não dá jeito”, disse. Segundo ela, um casal de criminosos costuma rondar as quadras para furtar os cabos. “Eu sinto medo constante, porque criminosos como eles ameaçam os moradores com faca, com pedaço de pau e tudo. O medo é constante, mas não tem jeito.” Ela espera que o governo tome providências mais severas para que essa situação seja resolvida.
Policiamento reforçado
O combate a essa modalidade criminosa vai ser reforçado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), que inaugurou, na última quarta-feira, a operação Brasília Mais Segura. O foco da iniciativa foi apresentar cerca de 900 novos policiais formados no último curso da instituição, que já estão aptos a atuar nas ruas. Ao JBr, o porta-voz da corporação, capitão Edimar Oliveira, afirmou que esse grupo de policiais está focado em coibir não somente os furtos de cabos elétricos, mas também os roubos e outros crimes patrimoniais, assim como demais demandas que a população da região tiver. “Temos atuado junto à comunidade para prevenir esse tipo de crime. A nossa intenção é aumentar a presença policial na Asa Norte para, de forma preventiva, impedir a ação de criminosos e melhorar a qualidade de vida daquela população”, destacou.

Como detalhado pelo porta-voz, no primeiro trimestre de 2026, a PMDF efetuou 44 prisões na Asa Norte. Ele destacou que a maioria dos detidos é reincidente e utiliza o objeto furtado para a venda ou troca por entorpecentes. Os novos agentes policiais vão se somar às equipes de policiamento a pé em áreas comerciais, residenciais e estacionamentos, aumentando os esforços da atuação já realizada na região. O porta-voz reforçou ainda que a participação da população é indispensável e deve ocorrer por meio do telefone 190. “É fundamental que a comunidade denuncie. Com esses registros, conseguimos gerar dados e, consequentemente, desenhar a mancha criminal para mapear com precisão os locais onde os crimes estão ocorrendo”, ressaltou.
Prejuízos
Ainda segundo a Neoenergia, ao longo de todo o ano de 2025, um total de 1.108 ocorrências foram contabilizadas, entre furtos efetivos e tentativas. O número representa uma média superior a três casos por dia. No Plano Piloto, incluindo Asa Norte e Asa Sul, houve o acúmulo de 602 registros. De acordo com a concessionária, essa é a região mais crítica. O prejuízo total estimado chegou a R$ 717,8 mil.
O vandalismo é tamanho, que o impacto também atinge a iluminação pública. Dados do CEB Ipes, apontam que em 2025, os furtos de cabos de iluminação pública somaram 96 quilômetros, com prejuízo de R$ 1,9 milhão para o órgão. Os registros são maiores que em 2024, em que a companhia registrou o furto de 74 quilômetros de cabos de IP, com prejuízo total de R$ 1,4 milhão.
A instituição destacou que essas ações criminosas acontecem em qualquer horário e alcançam vias movimentadas, áreas residenciais e até locais de relevância simbólica e turística. Em nota, a pasta apontou que cada ataque exige que os fios furtados sejam substituídos, muitas vezes acompanhados da reconstrução completa de trechos da rede, troca de luminárias danificadas e reestruturação de circuitos. “O esforço eleva custos, retarda outros serviços de manutenção e aumenta a vulnerabilidade de regiões já afetadas”, salientou a CEB Ipes, em nota.
Mitigação de danos
Com o objetivo de tentar diminuir o avanço dos furtos, a CEB Ipes frisou que realizou a contratação de uma empresa especializada, que reforçou com solda as janelas de inspeção de acesso à fiação subterrânea. Essa ação visou dificultar a abertura clandestina. Outra ação da instituição foi em relação às equipes regulares, que continuam com as manutenções de rotina. “Outras iniciativas foram aplicadas, como a substituição de postes de aço por braços instalados na rede elétrica e a troca de cabos de cobre por alumínio, menos atrativo ao mercado clandestino de receptação de fios e cabos”, acrescentou em nota.
A empresa reforçou que conta com o apoio das forças de segurança para desarticular a cadeia que alimenta o crime e prejudica diretamente a prestação do serviço de iluminação pública. Ainda segundo a CEB Ipes, a população também pode ajudar. Quem tiver informações que auxiliem nas investigações pode ligar no Disque 197 (Polícia Civil); para flagrantes ou suspeitas de ação criminosa, deve-se acionar o 190.
Outra recomendação foi o registro do boletim de ocorrência, que a instituição salientou ser medida fundamental para mapear rotas e identificar os responsáveis. “Para que a CEB Ipes seja informada sobre falhas na iluminação pública e possa atuar com maior agilidade, é fundamental que a população registre as ocorrências por meio dos canais oficiais de atendimento. Como os postes ainda não contam com sistemas de telegestão, o chamado do cidadão é a principal ferramenta para identificar rapidamente os pontos com problemas e programar os reparos.”
Serviço
Os canais de comunicação do CEB Ipes disponíveis são:
Telefone: 155
Aplicativo: Ilumina DF
WhatsApp: (61) 3774-1155
Site: www.ceb.com.br
Saiba Mais:
Com o objetivo de combater o avanço dos furtos e roubos de cabos, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ampliou os canais de atendimento e modernizou o sistema de registro:
Delegacia Eletrônica: o sistema conta com uma ferramenta específica para furtos de fiação. Mais intuitiva, a nova plataforma permite concluir o registro em menos de três minutos.
Disque-Denúncia 197: Canal para informações anônimas com sigilo absoluto. Pode ser acessado por ligação gratuita, e-mail, WhatsApp ou pelo portal da PCDF.