Por Camila Coimbra
A madrugada desta segunda-feira (16) foi a mais fria do ano até agora no Distrito Federal. No Gama, os termômetros marcaram 8,8 °C por volta das 3h da manhã, segundo a meteorologista Andrea Ramos. A queda nas temperaturas antecipa as características típicas do inverno, que começa oficialmente no próximo dia 20 de junho.
“Estamos caminhando para o inverno e essa estação é marcada por temperaturas mais baixas, tempo seco e céu com poucas nuvens”, explica Andrea. Ela alerta que madrugadas geladas devem continuar pelos próximos meses. “Até o final de agosto e início de setembro, ainda teremos essas manhãs frias no DF.”
Além do frio, a umidade relativa do ar também apresenta variações típicas do período. Pela manhã, os índices ficam elevados, entre 90% e 98%, mas caem significativamente à tarde, variando entre 30% e 35%. O cenário exige atenção redobrada com hidratação e cuidados com a saúde respiratória. Para os próximos dias, a previsão é de mínimas em torno dos 10 °C e máximas entre 24 °C e 25 °C, com predomínio de céu claro.
O frio, portanto, veio para ficar — e aqueceu o comércio. As baixas temperaturas de até 8 °C têm impulsionado as vendas no Distrito Federal: segundo o Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), a comercialização de agasalhos cresceu 11% este ano, frente aos 7% registrados no mesmo período de 2024. O desempenho do setor já supera em 4% o registrado no inverno passado, puxado não só pelo frio mais intenso, mas também pelo tempo seco.
Cobertores, meias de lã, luvas, gorros e bonés estão entre os itens mais procurados nas lojas do Plano Piloto e nas principais regiões administrativas. As mulheres lideram as compras: de cada 100 produtos vendidos, elas respondem por 72% das aquisições, enquanto os homens representam 28%. “As mulheres tendem a se preocupar mais com os efeitos do frio”, aponta o Sindivarejista.
Em relação aos meios de pagamento, 68% das compras de inverno são realizadas com cartão de crédito. O restante se divide entre pagamentos via PIX e dinheiro em espécie, este último, com a vantagem de permitir negociações e pequenos descontos em estabelecimentos menores.
No Portal da Moda, em Taguatinga, a loja Profeta já sente o reflexo nas prateleiras. Guilherme Bueno, 25 anos, que atua no atendimento, conta que a preparação começa ainda em maio. “Muitos clientes já procuram antes mesmo de o clima esfriar de vez”, relata. Segundo ele, a loja oferece roupas do tamanho P ao G4, atendendo públicos diversos. “Quando o frio aperta, o público vem correndo atrás do casaco”, diz. Ele calcula um aumento de cerca de 50% nas vendas em comparação ao ano anterior.
Entre os clientes, Lidiane Soares, 40 anos, moradora de Águas Claras, buscava agasalhos para ela e o filho Miguel, de 13. “Hoje viemos especificamente por causa do frio. Essa madrugada foi especialmente gelada. Miguel acorda às 5h40 e a gente já sentiu o baque”, contou. A preferência dela é por peças versáteis, que combinem conforto e proteção ao longo do dia.

Do outro lado da Feira dos Goianos, Lucas Soares, 23 anos, comerciante da loja Arapuk, confirma que o inverno é o melhor período para as vendas. “A gente sempre trabalha com uma variedade grande: camisa, social, moletom. Mas nesta época do ano, com o frio constante em Brasília, a procura por casacos cresce bastante”, afirma.
Ele aponta um aumento de aproximadamente 65% nas vendas de peças como moletom e bobojaco, com destaque para os modelos femininos. Como forma de incentivar a solidariedade, Lucas também criou uma campanha: quem levar um agasalho, novo ou usado, ganha 10% de desconto nas compras. “Depois a gente leva tudo para a Rodoviária do Plano Piloto e distribui para quem está em situação de rua”, explica.
O inverno no Brasil vai até 22 de setembro. E embora o frio intenso tenha surpreendido os brasilienses este ano, ele está longe de ser o mais rigoroso já registrado. Em 19 de maio de 2022, o Distrito Federal viveu seu recorde histórico: os termômetros marcaram -1,4 °C. Antes disso, em 18 de julho de 1976, a mínima foi de -1,6 °C.