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Brasília

Fórum Mundial da Água: público alto e reservatório inspiram otimismo

Arquivo Geral

23/03/2018 7h00

Atualizada 22/03/2018 23h09

Foto: Myke Sena

Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

Obom humor do governador Rodrigo Rollemberg durante a divulgação do balanço sobre o 8º Fórum Mundial da Água teve duas razões: pouco antes da entrevista coletiva, o reservatório do Descoberto atingiu 70% da capacidade com um mês de antecedência das previsões; e os organizadores alegaram que a edição em Brasília foi a mais frequentada até o momento. O público estimado até as 14h de ontem era de 85 mil pessoas, podendo ultrapassar 100 mil hoje, último dia de atividades. Na edição na Coreia, em 2015, foram cerca de 40 mil.

O otimismo pelas duas boas notícias inflaram a autoestima do chefe do Executivo e do diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas (Adasa) Paulo Salles, também integrante da organização do Fórum. Ambos falaram sobre o legado de valorização da água na cidade, mas não endereçaram que os 70% do Descoberto ainda estão mais de 20% abaixo do registrado em março de 2016 e que o reservatório de Santa Maria fechou o dia com 47,1%, queda de 1,6% na comparação com 2017.

“Brasília não será a mesma depois desse Fórum. Dada a imensa cobertura, a água passou a ser tema central de todas as famílias”, exaltou Rollemberg, que até corou quando o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, o chamou de “governador das águas”. “O governo tem sua responsabilidade, e será mais cobrado a partir de agora, mas cada um tem seu papel”, amenizou.

Racionamento

O governador do DF também voltou a falar sobre o fim do racionamento na capital ainda em 2018, apesar de a Adasa ser mais cautelosa. Desde 2015, a capital conseguiu reduzir em 55 litros o consumo médio diário dos habitantes, chegando a 129 litros, mas ainda está 19 litros acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele disse confiar na continuidade dessa economia mesmo após o término do rodízio de abastecimento.

“Percebo maior conscientização das pessoas e a realização de um Fórum como esse também ajuda”, opinou o político. “Importante registrar a noção dos agricultores, que têm sido responsáveis por esses recursos serem melhor aproveitados”, destacou.

Segundo o chefe do Executivo local, os investimentos na rede de abastecimento e tratamento de esgoto da sua gestão possibilitaram os avanços.

Ponte para o futuro

O evento teve novidades em relação à ultima edição. A Vila Cidadã, que reúne demonstrações e atividades interativas, foi a menina dos olhos – ajudou a atrair mais de 74 mil visitantes para ela e à Feira.

“Foi uma inovação interessante que tinha a proposta de trazer a população e os membros da América Latina para cá”, explicou Paulo Salles, da Adasa. “Foi o evento mais inclusivo da história, pois houve 1,5 mil organizações ao redor do mundo colaborando”, complementou.

O diretor-executivo da Agência Nacional de Águas (ANA), Ricardo Andrade, informou que 40 países se envolveram com a realização e houve 90 mil metros quadrados estruturados entre o Centro de Convenções Ulysses Guimarães e o estacionamento do estádio Mané Garrincha para abrigar as atrações, os 380 painéis temáticos e os 47 pavilhões, sendo 30 das nações convidadas. “Foi totalmente além de qualquer expectativa”, resumiu.

O presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, afirmou ter se tratado do “maior e mais bem atendido Fórum Mundial da Água” e projetou resultados ainda melhores para Dakar, capital do Senegal, que vai sediar a próxima edição, em 2021. “Começamos com 400 pessoas em Marrakesh, no Marrocos (em 1997). Chegamos à Coreia com 40 mil e agora estamos aqui”, comemorou.

Segundo ele, houve demonstração de maior envolvimento da classe política e do Poder Judiciário mundial, pois 12 chefes de Estado compareceram à abertura: “Recebemos 150 autoridades regionais de várias partes do mundo e uma inovação foi a participação de 87 juízes de Suprema Corte de todo o planeta. Isso entrará na história”.

Os êxitos, porém, foram seguidos pela preocupação com as situações problemáticas enfrentadas em zonas críticas. A Cidade do Cabo, na África do Sul, enfrenta o medo de ficar, no próximo mês, sem uma gota de água em seus reservatórios. Em fevereiro, o governo local já havia restringido o consumo diário por habitante para 50 litros, mas os níveis continuaram a ficar abaixo dos 20%.

O Fórum, porém, vai produzir cinco documentos declaratórios e garante ter promovido aproximações para combater que qualquer nação alcance o famigerado Dia Zero. Nos próximos meses, resta saber se o discurso e o otimismo serão convertidos em energia e ações positivas a tempo.

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