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Brasília

Força-tarefa tenta reparar danos que aumentaram após enxurrada no Sol Nascente

Arquivo Geral

07/11/2017 7h00

Foto: John Stan

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Com uma trégua das chuvas, uma força-tarefa é executada desde sexta-feira nas vias do Sol Nascente, após estragos decorrentes da enxurrada. Ao todo, 13 órgãos estão envolvidos na ação. As obras envolvem a retirada de lama, terraplanagem nas vias que vão receber asfalto, desobstrução de bocas de lobo e construção da rede águas pluviais.

Moradores e comerciantes reclamam da falta de infraestrutura na região, que nasceu ilegal e está em processo de regularização. A vendedora de lanches Andreza Sousa Oliveira, 24 anos, alega que é difícil manter os clientes, pois a loja está sempre suja de poeira ou lama. “Os clientes reclamam muito. O que é mais complicado é manter os descartáveis, porque suja tudo e não dá para lavar. A saída é jogar fora”, lamenta.

A mulher conta que o comércio precisa ser lavado até seis vezes ao dia para ficar limpo. “Tem que jogar água, porque passar pano mancha o chão, não limpa, e piora. Nos dias de racionamento é pior, porque temos que economizar o máximo de água da lanchonete para conseguir lavar a loja”, afirma.

A situação mais crítica no Sol Nascente está na via principal do Condomínio Vitória, no Conjunto C da Chácara 125 – onde uma cratera se abriu e engoliu carros. No entanto, o secretário de Cidades, Marcos Dantas, garante que até o fim do mês a rua será asfaltada.

“A prioridade é o Trecho 2. Na verdade, o Trecho 1 já está quase pronto, então, como as redes de drenagem estão funcionando, lá não existe mais problema. Aqui no Trecho 2, só pode ligar as redes de águas pluviais quando a via for pavimentada. Mas, até o final do mês, na região do Condomínio Vitória, estará tudo resolvido, pavimentado, e em seguida ligamos as redes de águas pluviais”, afirma.

Além dessas obras, os órgãos definiram outras medidas: a desobstrução das vias e o reforço na coleta de lixo e na segurança, o monitoramento do escoamento do esgoto, o controle de energia elétrica e do abastecimento de água nas residências e o apoio assistencial às famílias que tiveram as casas atingidas.

De acordo com Dantas, a força- tarefa não tem sem data para acabar. “Vamos avaliando se vai surgir algum problema”, alega. Reuniões permanentes acontecerão para apontar os serviços necessários. “Vamos agir preventivamente. Por isso, vamos ter encontros permanentes, não só para o Sol Nascente, mas para Vicente Pires e Buritizinho, que são regiões onde estão sendo feitas várias obras importantes e grandes”, completa.

Devido à iminência de mais chuvas, o Trecho 3 vai demorar a receber os serviços de infraestrutura. “Talvez até o ano que vem concluímos os trabalhos lá”, prevê.

“Esperaram a bomba explodir”

Para o comerciante Valmir Santos, 46 anos, os reparos deveriam ter sido feitos antes. “Não temos um governo que dá assistência. Esperaram a bomba explodir para vir governador visitar e as obras começarem. O erro tem que ser corrigido desde o início, e não no meio do caminho”, critica.

O comerciante alega ainda que o Sol Nascente vive nos extremos: “Ou poeira demais, ou lama demais”. Para ele, não é somente a região do Condomínio Vitória que carece de atenção. “O povo que paga imposto precisa de mais respeito. Aqui não tem uma escola boa, você vai ao P Sul e pode contar quantas funcionam, assistência social quase não chega aqui. Estamos abandonados”, conclui.

A casa de Ruth Sander desabou na quarta-feira passada, após forte chuva. A Defesa Civil avaliou, na época, que a estrutura oferecia riscos a edificações vizinhas, por isso fizeram a demolição na sexta-feira.

No dia do acidente, em entrevista ao JBr., Ruth afirmou que a casa já estava comprometida, e a chuva só foi mais um potencial para o desabamento. “Desde cedo comecei a escutar e ver tijolos caindo. Aí chamei um vizinho, que é pedreiro, para ajudar meu marido a escorar a parede. Estava só chuviscando, a casa que estava rachando mesmo”, contou.

Agora, vendo os restos da residência no chão, a dona de casa afirma que não sabe quando terá dinheiro para construir novamente. “Estou ficando na casa da minha filha. Ainda não pensamos como vai ser daqui para frente, porque meu marido até passou mal. A ficha não caiu para ele”, relata.

Saiba mais

Ontem o governador Rodrigo Rollemberg esteve presente no canteiro de obras no Sol Nascente para acompanhar as ações. Representantes dos 13 órgãos que integram o grupo também estavam presentes para definir quais são as prioridades para a região.

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