Cristina Sena
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Um veículo com placas de táxi para no estacionamento em frente a unidade do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran), no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). O motorista desce do carro e conversa com um dos dez “profissionais” que estão no estacionamento. Poucos minutos depois, terminado o serviço, o motorista paga pelo trabalho e o carro sai com novas placas, agora cinzas, próprias para carros de passeio.
Esse é mais um dos casos de reforma ou troca de placas de veículos no local, onde também são vendidos extintores de incêndio e são realizados pequenos reparos, como troca de lanterna e intervenções na parte elétrica do veículo. Tudo ali, a poucos metros de um dos pontos de atendimento do Detran.
O serviço é barato e prático, porém, ilegal. Mesmo assim, Dario Ferreira afirma atender pelo menos, dez pessoas por dia. “O retoque da pintura das duas placas fica por
R$ 15″, afirma.
Luciano Carvalho também recorreu aos serviços de pintura de Dario Ferreira. As placas do veículo de sua mãe estavam perdendo a cor e Carvalho resolveu pintá-las antes de levar o carro para a vistoria. “Se eu chegasse no Detran com a placa velha como estava, o carro não passava na vistoria”, defende-se o operador de caixa, que pretendia transferir a posse do veículo.
O Detran justifica que pouco pode fazer para coibir a atividade ilegal a poucos metros do prédio no SIA. O órgão não tem competência para fiscalizar esse tipo de atividade em vias públicas, função que cabe à polícia. Mas alerta que procurar a ilegalidade é uma economia que pode resultar em gastos ainda maiores.
Caso a reforma da placa seja mal sucedida, ou a nova placa não atenda as especificações do Código Nacional de Trânsito, o dono do carro poderá ser multado em R$ 85,13, acumular quatro pontos na Carteira de Habilitação e ter o veículo apreendido. Terá de arcar também com a taxa de remoção do veículo para o depósito, que é de R$ 162, e a diária do depósito, de R$ 22.
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