Criado há três anos, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) não conta com sequer um fiscal em seu quadro efetivo até hoje. Dois emprestados da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seduma) são responsáveis por atender a todas as denúncias referentes à poluição sonora, que correspondem a 80% das reclamações. O problema não para aí. Tanta demanda parece afetar a percepção do que é mais ou menos urgente. Enquanto os moradores da 214 Sul tiveram que ver um vizinho espancado para acabar com o barulho numa loja de conveniência, os sinos da Igreja São Pedro de Alcântara, na Quadra 7 do Lago Sul, podem ser silenciados por conta de um morador.
Depois de receber a reclamação de que o barulho dos sinos incomodavam, o Ibram autuou a paróquia por infração à Lei Ambiental. O padre Givanildo Santos ainda vai responder ao auto de infração e tentar justificar a importância dos sinos para a comunidade. Ele tem prazo até o próximo dia 14 para silenciar os sinos que estariam tocando acima dos 50 decibéis, limite permitido em áreas residenciais.
De acordo com a fiscal do Ibram Kênia Madoz, o órgão recebeu a denúncia de um morador, que reclamava do barulho. Após a reclamação, Kênia realizou a medição na residência do morador e comprovou que os sinos estavam gerando barulho acima de 50 decibéis, limite permitido em áreas residenciais.
Para os fiéis, fica o sentimento de revolta: “Os sinos representam a liberdade de expressão religiosa, que é garantida pela Constituição. Então, não incomoda ninguém. Não é possível que o sino incomode alguém”, destaca Larissa Gadelha, que faz parte do grupo jovem da paróquia.
Ainda segundo a fiscal, o órgão autuou a paróquia como advertência. “A proposta é chamar a atenção da igreja, para que eles tentem resolver e entrem em um acordo com os moradores”, explica. Para Kênia, não há intenção de punir, mas sim de atender à comunidade, ouvir o outro lado, para chegarem a um acordo.
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