Por Tereza Neuberger
redacao@grupojbr.com
Após matar o próprio pai com um canivete no último domingo(20), Breno Augusto Santos, de 29 anos, alegou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que sofria abusos na infância por parte do pai, Cláudio Moreira dos Santos, de 66 anos, e por esse motivo o matou. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, o fato narrado pelo comunicante não existiu.
Em nota a PCDF declarou que “o fato narrado pelo comunicante não existiu, sendo sua alegação fantasiosa e desprovida de realidade.” A 2ª Delegacia Polícia do Distrito Federal, informou que em junho de 2021, uma ocorrência policial noticiando estupro de vulnerável ocorrido desde 1998 até aquela data foi registrada na delegacia. A 2ª DP instaurou inquérito policial para apurar os supostos abusos sofridos por Breno Augusto Santos. Abusos que, de acordo com o rapaz, sofria desde os quatro anos de idade por parte do pai.
Durante as investigações e oitivas realizadas, percebeu-se que o filho teria versões isoladas e conflitantes entre si, de acordo com a PCDF. Após encaminhamento ao Instituto Médico Legal(IML) e passar por exames psiquiátricos, foi apontado que o rapaz apresenta juízo de realidade prejudicado, com delírios persecutórios direcionados principalmente ao pai. A conclusão do exame foi de que Breno se encontrava em surtos psicóticos e teria indicação de tratamento psiquiátrico.
Foram ouvidas diversas testemunhas no decorrer da investigação, entre elas familiares dos
envolvidos, que informaram desconhecer as situações apontadas pelo filho em relação ao próprio pai, e rebateram inclusive episódios de violências e agressões que Breno teria levantado também.
O crime que chocou a vizinhança do bloco K, na 408 Norte, ocorreu por volta das 12h do último domingo, quando Breno saiu da 309 Norte, onde mora com a mãe, para ir até a casa do pai na 408 Norte. Breno teria saído de casa já em posse de um canivete, de acordo com as investigações.
Ao chegar à casa do pai, o filho agiu naturalmente. Ele foi até o seu quarto, e chegou até a brincar com os gatos, em seguida e se dirigiu até a varanda, onde o se encontrava Cláudio. De acordo com testemunhas, pai e filho começaram a discutir, quando o rapaz teria mostrado o canivete para a vítima e desferiu vários golpes na região da barriga do próprio pai. Cláudio ficou muito ferido e sentou-se em uma cadeira, o autor desferiu também tapas no rosto do pai.
Breno só parou os ataques ao ouvir os pedidos das testemunhas para que parasse, ele arremessou um canivete do tipo borboleta usado no ataque em direção ao jardim do prédio, e em seguida saltou a varanda e, com as mãos repletas de sangue, ficou sentado no meio-fio em frente ao bloco. Ao ser questionado pelos vizinhos que testemunharam a barbaridade, Breno teria afirmado que o pai era “estuprador de crianças”.
Vizinhos acionaram o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na tentativa de socorrer o idoso, ele foi encaminhado ao Hospital de Base para ser atendido, porém,com várias perfurações na região do abdômen, tórax, na cabeça e no braço, Cláudio não resistiu e veio a falecer.
No local do crime, a polícia encontrou Breno sentado no meio fio e com a mão ferida, e suja de sangue, ele foi encaminhado ao hospital, atendido e após a sutura, foi conduzido para a 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. Já na delegacia, Breno confessou o crime. Ele contou aos investigadores que por mais de uma vez teria sido violentado sexualmente pelo pai, e que por esse motivo queria matá-lo.