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Brasília

Festa de fim de ano terá "formato econômico"

Arquivo Geral

19/11/2015 6h00

Eric Zambon

eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

Não existe definição quanto aos festejos de fim de ano e do Carnaval de 2016. Por enquanto, há uma única certeza: o Réveillon terá “formato econômico”. Neste ano, faltou dinheiro para as escolas de samba, e os shows da virada foram confirmados em cima da hora, após ameaça do ex-governador Agnelo Queiroz de cancelar o evento. 

A assessoria da Secretaria de Cultura informou que o titular, Guilherme Reis, esteve, ontem, em reunião para discutir os detalhes a respeito do assunto. As definições, no entanto, teriam de ser tratadas com a pasta de Planejamento, Orçamento e Gestão e não seria possível ter um posicionamento até o fechamento desta edição. A promessa é de que hoje haja resposta sobre o fim de ano e o Carnaval.

Sobre a virada, a Secretaria de Cultura confirmou que haverá festa, mas não soube precisar quais serão as atrações. Segundo a pasta, as definições devem acontecer a partir da próxima semana. No último Réveillon, 10 mil pessoas compareceram à Esplanada dos Ministérios, e o evento custou aproximadamente R$ 1,6 milhão aos cofres públicos. 

Quanto ao Carnaval, representantes de movimentos culturais  temem que a sina se repita no próximo ano e apontam inércia do Buriti.

“Entregamos os projetos em 27 de abril nas secretarias de Cultura e Turismo e não chamaram a gente para conversar”, reclama o presidente da União das Escolas de Samba e Blocos de Enredo do DF (Unesbe), Geomar Leite. “Temos consciência de  que o momento (financeiro) é difícil, mas tirar o dinheiro do Carnaval não vai salvar a saúde e a educação da cidade”.

Incerteza

O presidente da Unesbe, Geomar Leite, disse que existe uma frente parlamentar interessada na recuperação do Carnaval local, mas demonstrou incerteza quando o assunto é dinheiro. “Esperamos definição do governador para saber de que forma será o repasse”, informa.

Neste ano, Leite conta que as escolas estavam com parte dos equipamentos e acessórios prontos para o desfile, mas ficaram devendo aos fornecedores e tiveram de suspender as atividades após o anúncio sobre corte no repasse de verbas. A dívida acumulada estaria em R$ 2 milhões, segundo ele.

À espera de uma resposta

O presidente da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, Jean Souza, reforça a importância dos festejos carnavalescos para a cidade e garante esperar por uma resposta do governo quanto a aportes. 

“No ano passado, levamos mais de um milhão de foliões às ruas durante a programação. Os blocos mantêm a tradição nordestina na cidade, além de movimentar a economia do Distrito Federal e da Região Metropolitana, gerando empregos”, analisa Jean Souza. 

Segundo ele, pela falta de apoio financeiro às atividades em 2015, muitos blocos encerraram as festas com saldo negativo em seus caixas. 

“Já enviamos os projetos de orçamento, estrutura, programação, tudo. Queremos executar 40 apresentações de blocos tradicionais e queremos que os valores sejam repassados em 2016”, diz o carnavalesco.

Saiba mais

A Lei 4.738, de 29 de dezembro de 2011, dispõe, em seu artigo 7º, que “os valores decorrentes dos contratos […] devem ser pagos antecipadamente, em pelo menos três parcelas, às escolas de samba, aos blocos de enredo e aos blocos carnavalescos, para possibilitar sua utilização na preparação dos desfiles contratados”.

No ano passado, sem o repasse de dinheiro para os eventos culturais do Carnaval, os blocos de rua buscaram patrocínio de empresas e financiamento coletivo. Mais de um milhão de pessoas teriam ido às ruas para prestigiar as festividades.

Já as escolas de samba da cidade, ao receberem a notícia de que não haveria desfile,  em janeiro,   guardaram as fantasias e os enredos para o próximo ano.  

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