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Brasília

Férias e viagens diminuem a movimentação de pessoas em Brasília no mês de janeiro

Normalmente sempre movimentada, a capital fica mais esvaziada na época de final e início do ano

Vítor Ventura

06/01/2026 19h33

Foto: Anderson Parreira/Agência Brasília

Foto: Anderson Parreira/Agência Brasília

Durante o mês de janeiro, o movimento em Brasília diminui. Com um alto fluxo de viagens para outros estados e com as férias escolares, restaurantes, parques e lojas aparentam estar vazios na capital. O fenômeno é comum nessa época do ano, conforme explicou ao Jornal de Brasília o professor do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), Fernando Sobrinho.

“Primeiro, nós temos um período que é tradicionalmente no Brasil de férias escolares. Tanto a rede pública, bem como as escolas privadas de ensino da educação básica, ensino fundamental e médio não estão tendo aulas. Então, você já tira da rua um fluxo considerável de crianças e adolescentes que os pais vão buscar e levar às escolas”, comentou o professor.

Além disso, acrescentou o Sobrinho, o período também é de férias para funcionários públicos. “Por exemplo, o Congresso Nacional está de recesso, está no período de gozo de férias. Você tira aí também um percentual grande de pessoas que trabalham diretamente com o Legislativo e o Judiciário e que nesse momento estão em gozo de férias. Então você tem um mínimo de servidores que vão trabalhar nesses locais. Nos demais órgãos públicos, a mesma coisa. Então você tem aí um período em que grande parte do funcionalismo público está de férias”, explicou.

Diante desse cenário, principalmente o centro da capital, sofre com um fluxo menor de pessoas nessa época do ano. William Rodrigues, que trabalha na papelaria gerenciada pelo filho, relatou ao JBr que está tudo muito parado durante o mês de janeiro. “Tem a queda de movimentação e também tem a queda do poder aquisitivo das pessoas justamente porque começa a entrar IPVA, IPTU, gastos com o final de ano”, contou.

“Em janeiro também é complicado porque muitos escritórios estão de férias ou de recesso. É algo que traz bastante impacto para a loja”, complementou William. O professor Fernando Sobrinho destacou que nessa época muitos profissionais liberais também aproveitam para tirar as férias justamente por esse menor fluxo de pessoas na capital.

Somado a isso, segundo Sobrinho, está o fato de que muitas pessoas que moram em Brasília não nasceram na cidade. “Por exemplo, eu não sou de Brasília, não nasci aqui, moro aqui há 31 anos. O final de ano eu passei no interior de Minas Gerais. Então, você vai ver essa questão da saída da população de Brasília, das pessoas que aproveitam agora as férias de final e início do ano, o período do verão, as praias, vão visitar familiares. Então, é um período de férias e, obviamente, a cidade tem uma saída muito grande de pessoas”, ressaltou o professor.

Além disso, Sobrinho também apontou que a capital não recebe turistas na mesma quantidade que saem moradores durante o período. “Brasília é muito mais um polo emissor de turistas para outros destinos, do que propriamente uma cidade de recepção. A gente tem um fluxo turístico de pessoas que vêm conhecer a cidade, mas a gente não consegue que elas fiquem aqui muito tempo, por exemplo, mais de uma semana, mais de 10 dias, diferentemente de destinos de sol e mar”.

O professor explicou que a capital federal não é o principal destino nessa época do ano. “As pessoas estão interessadas em ir para praia, para áreas rurais, para turismo de natureza. Esse turismo urbano de Brasília fica muito mais relegado a um segundo momento, principalmente períodos em que o Governo Federal está atuando plenamente e você tem um fluxo maior de pessoas vindo a Brasília a trabalho”, comentou Sobrinho.

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