Valtemir Rodrigues
Mães dos jovens desaparecidos em Luziânia (GO) serão recebidas hoje, às 12h, pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, para conversarem sobre a possível participação da Polícia Federal nas investigações do sumiço dos adolescentes. Essa é a segunda vez que elas vêm a Brasília fazer esse pedido e dessa vez amparadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que também abraçou a causa das mães. O presidente nacional da instituição, Ophir Cavalcante, e o presidente da ordem goiana, Henrique Tibúrcio, estarão com elas durante o encontro.
Na última semana os familiares receberam o apoio dos deputados da CPI das Crianças Desaparecidas e dos senadores da CPI da Pedofilia. Mesmo assim a Secretaria de Segurança Pública de Goiás se manteve reticente com relação a entrada dos agentes federais na apuração das causas do sumiço dos rapazes. “A participação da Polícia Federal não é um reconhecimento e declaração de incompetência da polícia goiana, mas sim uma junção de forças em uma causa dramática que tem gerado dor a várias famílias”, argumenta Ophir Cavalcante.
Demora
De acordo com Sônia Azevedo, mãe do jovem Flávio desaparecido desde 4 de janeiro, esta é mais uma alternativa para se desvendar o mistério. “O caso está cada vez mais complicado e acreditamos que se tivermos a PF trabalhando nisso conseguimos saber mais rápido o que aconteceu com nossos filhos”, argumenta. A demora por resposta, em sua avaliação, é o que causa mais dor já que ficam imaginando o tempo todo onde estariam e em que condições.
Uma das mães, Cirlene Gomes, percorre todos os dias a cidade em busca de informações que podem auxiliar a polícia nas investigações. “Não vou me cançar até encontrar meu filho. Doi não saber onde ele está e até agora a polícia se mantém em silêncio sabendo que ele pode até estar morto”, lamenta.
Segundo os próprios delegados que investigam o caso, José Luiz Martins, da 17ª Delegacia Regional de Luziânia, e Rosivaldo Linhares Rosa, do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), quarenta dias depois do primeiro sumiço, não há nenhuma prova realmente concreta. Mesmo diante dessa situação eles se posicionam contrários a entrada da PF no caso, alegando que não há necessidade. A mesma posição é compartilhada pelas demais autoridades de segurança pública de Goiás.
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