Menu
Brasília

Famílias de Luziânia se sentem desamparadas

Arquivo Geral

02/02/2010 0h00

Bruna Torres
bruna.torres@jornaldebrasilia.com.br

 

A reunião entre as famílias dos seis jovens desaparecidos em Luziânia e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito, no Centro Integrado de Operações Especiais (Ciops) do município, acabou sendo em outro local. De início seria no centro, com a presença do delegado regional José Luiz Martins, que prometeu recebê-los.

 

O delegado responsável pelo Ciops, Rosivaldo Linhares, informou em reunião à portas fechadas com a comitiva sem os familiares, que o município não necessitava de ajuda de outras polícias, como a Federal que as mães e pais pediram, e ainda informou que a reunião seria na Delegacia Regional, onde José Luiz os esperava.

 

Ao chegarem na regional, todos os familiares e comitiva da comissão receberam a informação de que José Luiz Martins estaria em Goiânia e não poderia recebê-los. Mais uma vez as mães se sentiram desamparadas e sem ajuda, inclusive Alexandre Rodrigues Macedo, morador do Novo Gama, que apareceu ontem informando que sua filha, Alessandra Alves Rodrigues está sumida desde 21 de dezembro.

 

Fermino Fechio Filho, ouvidor-geral da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que ofereceu apoio federal ao caso, ressalta que com a gravidade da situação ele deveria ser prioridade. “Se essa impunidade não for solucionada, irá gerar outras, pois eles podem agir em outras localidades, inclusive no DF”.

 

O filho de Sônia Vieira de Azevedo, Paulo Victor Vieira de Azevedo Lima, de 16 anos, um dos desaparecidos, conta que o filho saiu para pagar uma conta de luz da lanchonete onde trabalhava. “Ele foi na lotérica na avenida Alfredo Nasser, voltou e devolveu o troco. Disse que sairia novamente e já voltava. Mas não voltou mais”. Ela conta que assistiu as três fitas de filmagem de segurança da lotérica e em nenhuma delas reconheceu o filho, o que mostra que uma outra pessoa pagou por ele.

 

Durante a semana, os familiares pretendem realizar uma campanha em postos de gasolina da BR onde irão pregar 2000 cartazes e usar camisetas com imagens dos filhos. “Para cada familiar terá na frente da camiseta a imagem do filho e atrás dos outros”, explicam as mães, que estão recebendo ajuda do padre local e esperam que a prefeitura de Luziânia forneça o ônibus para que possam se deslocar.

 

NAS ESCOLAS
Com as notícias dos desaparecimentos, diversas mães levam e buscam os filhos nas escolas. Quando elas não podem, outro familiar garante a segurança. Cristina Barbosa Ferreira, 24 anos, sempre leva a irmã, Patrícia Barbosa, 15 anos, para a aula do 1º ano do Ensino Médio. “Ela vinha de ônibus, mas agora não deixamos de jeito nenhum. Inclusive meu filho de quatro anos também deixo na outra escola”, revela ela, que mora no parque Estrela D’Alva, local onde os seis jovens desapareceram.

 

Ela ainda acrescenta que mantém a segurança em casa, com portões fechados, e os filhos tendo que brincar dentro de casa. “Nossa rotina mudou totalmente. Mesmo que esteja concentrado em uma faixa etária, não deixo o meu de quatro sozinho. As nossas despesas também mudaram, porque levo, busco na escola, e também no trabalho da minha irmã”, completa.

 

Leia mais na edição de hoje (02) do Jornal de Brasília.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado