A estante de troféus ocupa lugar de destaque na sala de Victor e Cíntia Santos, pais do corredor Marílson Gomes dos Santos. É o resultado de uma escolha certa, feita há mais de 15 anos, quando os dois tiveram de superar a dor da separação para que o filho fosse para São Paulo dar início a uma carreira de sucesso. “Antes disso ele nunca tinha dormido um dia sequer fora de casa”, lembra a mãe.
Hoje, Marilson carrega, entre outros, os títulos de bicampeão da corrida de São Silvestre e de primeiro sul-americano a vencer a Maratona de Nova York, nos Estados Unidos. Considerado um atleta acima da média, ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de atletismo e é um dos grandes nomes brasileiros nos Jogos Pan-Americanos. Na competição carioca, ele competirá nas provas de 5.000m e 10.000m.
Depois dos Jogos do Rio de Janeiro, começam os treinamentos para as Olimpíadas de Pequim, em 2008. Na China, Marílson pretende correr a maratona. Por ora, a rotina consiste em dois treinos diários totalmente voltados para as provas que serão realizadas entre os dias 23 e 28 de julho no Estádio João Havelange, o Engenhão.
Graças ao atletismo, Marilson conheceu boa parte do planeta e pode proporcionar à família o conforto com o qual sempre sonhou. A mãe diz que a preocupação do corredor com o bem-estar dos familiares sempre foi grande. Para exemplificar, ala narra uma história do então garoto Marilson, datada do início da década de 90, quando o presidente Fernando Collor bloqueou os recursos de quem tinha aplicações na poupança. Como dinheiro da família estava confiscado, ele chegou a plantar chuchu, roubado do quintal vizinho, para que ninguém passasse fome em casa.
A simplicidade é uma característica marcante não só do atleta, como também de toda família. Assim como a religiosidade. Católico, Marilson carrega sempre no pescoço um escapulário com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, a Bíblia é seu livro preferido. Todas as vezes que pode, lê um trecho para meditar.
Casado há cinco anos com a também corredora Juliana Paula, Marilson é formado em Educação Física e, assim como a maioria dos atletas, não pretende abandonar o esporte após a aposentadoria. Ele pensa em trabalhar com projetos sociais, mas ainda não sabe de que forma.
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