João Paulo Mariano
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Pela primeira vez, a família de Raul Aragão, morto aos 23 anos, ficou frente a frente com o jovem acusado pela sua morte, Johann Homonnai, 18. O encontro ocorreu nesta quinta-feira (22), durante audiência de instrução do processo no Tribunal de Justiça do DF que apura o atropelamento. Em outubro passado, Raul foi atingido enquanto pedalava e morreu dias depois, no hospital.
A audiência foi marcada pelo depoimento do acusado e por enfrentamentos entre as famílias de vítima e réu. Houve gritos de “assassino”, que foram respondidos pelos parentes de Johann. A polícia e integrantes da Corte auxiliaram para acalmar os ânimos.
Quatro pessoas foram ouvidas, entre elas uma prima do acusado, que estava no carro na hora do acidente, e um policial que participou da ocorrência. Johann negou ter dirigido em velocidade muito alta e não soube informar se estava acima dos 60 km/h permitidos no local, a L2 Norte.
Apesar disso, o laudo do Instituto de Criminalística da PCDF revelou que o veículo atingiu 95km/h no momento do atropelamento. Raul Aragão era estudante de sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e engajado nas questões relacionadas a mobilidade, tanto que fazia parte de grupos de cilcismo, como a ONG Rodas da Paz.
Esperança na Justiça
“Acreditamos na condenação. O nosso desejo é que houvesse uma denúncia por dolo eventual, mas o Ministério Público não entendeu assim. Saí com um resultado positivo”, afirma a mãe de Raul, Renata Aragão. Ela espera que a decisão do juiz seja proferida sem a necessidade de nova audiência.
Para Renata, mesmo que o condutor do veículo não tenha confessado a culpa, as declarações indicam o erro. Johann disse que viu o ciclista vindo da calçada e tentou desviar para a esquerda, mas não foi possível fazer mais nada. A mãe afirma que, depois de conversar com técnicos no assunto, soube que, devido à velocidade, o impacto teria sido o mesmo se Raul tivesse caído de um prédio de cem andares.
Agora, ela tenta se acostumar a conviver com a solidão dentro de casa. “A dor da morte é pungente. Diária. Ele era um homem brilhante, entregue à sociologia e que pregava a paz no trânsito”, afirma.
O JBr. tentou contato com a defesa de Johann Hommonai, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.