Rafaella Panceri
redacao@grupojbr.com
A família de Glória Maria Feitosa, 23, morta a facadas pelo companheiro, Francisco Pereira dos Santos, 27, em agosto de 2017 na Expansão do Setor O (Ceilândia), alertava a mulher sobre o comportamento violento do rapaz. “Eu tentei abrir os olhos dela. Dois dias antes do que aconteceu, falei que ela precisava tomar cuidado com ele”, lembra o pai, Paulo Henrique dos Santos, 52. “Ele era muito ciumento. Discutia com ela e passava dos limites. Não era normal”, aponta.
A família soube da prisão de Francisco Pereira dos Santos na tarde de hoje. “Ficamos aliviados porque ele está atrás das grades e vai pagar pelo erro que cometeu. Não desejo mal para ele, mas ao mesmo tempo não queria estar no lugar dele hoje”, desabafa o pai da moça.

“Quem ficou presa de verdade foi ela [Glória] e muitas outras mulheres que nunca mais vão ver a luz do dia”, Paulo Henrique dos Santos, pai da vítima. Foto: João Stangherlin
A pena que Francisco pode cumprir por ter cometido o feminicídio varia entre 12 e 30 anos. É insuficiente, na opinião do pai da vítima. “Nem que fique preso por 100 ou 200 anos, ele ainda estará vivo. Quem ficou presa de verdade foi ela [Glória] e muitas outras mulheres que nunca mais vão ver a luz do dia”, opina.
Leia mais: Mulher de 23 anos é morta pelo companheiro com facada no pescoço
Marido confessa que matou companheira por ciumes; foram 20 facadas
Criança vive drama pós ter a mãe morta pelo próprio pai
Acusado de matar a esposa a facadas em Ceilândia é posto em liberdade
Planos
Seis meses após a tragédia, o filho de Glória e Francisco, hoje com sete anos de idade, mora com o avô e a avó, Cristina Maria Feitosa, 46, na mesma quadra onde o crime aconteceu. “Ele [o menino] está bem, mas sente muito a falta da mãe, chora e fala que tem raiva do pai. Converso com ele para que ele não cresça com maldade no coração. O pai nunca mais veio atrás dele ou da gente”, relata o avô do menino.
A família quer se mudar para o Maranhão — de onde veio há uma década, a pedido da filha. “Ela veio tentar a vida, mas sentia falta de nós. Logo aqui, conheceu o homem que tirou a vida dela”, lamenta o pai da vítima. Segundo ele, o julgamento de Francisco Pereira dos Santos, preso ontem, está marcado para o próximo dia 19 de fevereiro. “Depois disso, quero voltar para a minha cidade em paz e recomeçar a vida”, conta. “Não temos mais nada para fazer aqui depois da morte dela”, avalia.
Relembre o caso
Glória Maria dos Santos foi morta pelo companheiro após levar 20 facadas durante uma discussão no dia 3 de agosto de 2017. Segundo a Polícia Militar, o crime ocorreu por volta de 7h. Familiares relatam que, naquela manhã, Francisco Pereira dos Santos acordou e deixou o filho do casal na escola. Quando voltou para casa, praticou o crime. Ele foi preso preventivamente na tarde de ontem (1º) pelo crime de feminicídio e, caso seja condenado, pode ficar preso por um período de 12 a 30 anos. O caso vai a júri popular no primeiro semestre de 2018, conforme o delegado Ricardo Viana, da 24ª DP.