Raiane Kissem
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Aluna do 6º ano do Ensino Fundamental de um colégio particular em Vicente Pires, Luiza Teles de Carvalho, de 11 anos, tem sede de conhecimento. Ela nasceu com paralisia cerebral e tetraplegia, mas a sua inteligência e funções cognitivas são normais. A menina, que se conecta com o mundo por meio do computador com o movimento de um dedo, garante boas notas na escola. No entanto, tem lutado na Justiça para se manter no colégio que frequenta. Por lei, estudantes com deficiência têm o direito de frequentar o ensino regular.
Luiza nasceu prematura e sempre lutou pela vida. Segundo a família, a menina é vítima de preconceito na escola, que não quis mais recebê-la. A situação culminou em um quadro de depressão.
A mãe, Graziella Teles, informa que quando Luiza foi matriculada para o ano letivo de 2012, o colégio se comprometeu a não medir esforços para sua adaptação. No primeiro bimestre, as atividades escolares transcorreram sem problemas, tanto que a aluna teve ótimo aproveitamento. Mas a instituição de ensino não promoveu todas as adaptações, inclusive no preparo dos professores. E os problemas surgiram no segundo bimestre.
“A psicóloga foi até a escola conversar sobre as matérias, que estavam extensas. Por lei, ela tem esse direito, ter a matéria adaptada e reduzida para o que ela dá conta de fazer. Propuseram que, em uma prova de dez questões, ela fizesse cinco, mas a prova é igual à de todo mundo”, questiona.
Depressão
Segundo a mãe, a situação piorou quando um professor passou a demonstrar insatisfação com as perguntas de Luiza e com o prazo que necessitava para copiar a matéria na lousa. O docente e alguns alunos queixaram-se. Sentindo-se hostilizada, Luiza passou a se isolar de todos, não se alimentava e tinha dificuldades para dormir. “Eu entrei em depressão. Estou tomando antidepressivos para ver se consigo me superar, mas eu ainda não esqueci aquilo. Mexeu muito comigo”, contou Luiza, que chegou a interromper o ano letivo.
Por decisão da Justiça, foi estabelecido que um plano pedagógico deveria ser feito. “Professores vão à casa dela e aplicarão prova para concluir o ano. A lei recomenda interação com os alunos com deficiência da maneira mais normal para frequentar a escola regular”, diz Alexandre Simões, advogado do caso.