Isa Stacciarini
isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

A viagem de volta para casa após as festas de fim de ano se tornou um pesadelo para os familiares das vítimas que morreram no acidente na BR-316, a 75 quilômetros de Teresina (PI). Os parentes dos passageiros, todos de Brasília, ainda não conseguem digerir a história: dez pessoas morreram e 12 ficaram feridas na colisão envolvendo um caminhão e a van que transportava a família.
Na casa de uma das falecidas, Aldenir Marques Parente, 30 anos, o sentimento é de tristeza e muita saudade. O ritual de passar o fim de ano na cidade de Cacimbas (CE), era seguido há anos. As festividades eram marcadas pela alegria e confraternização de uma família que possui raízes em diversas partes do Brasil, inclusive na capital. Para baratear os custos, a mesma van era locada há aproximadamente sete anos pela família. O motorista, que também morreu no acidente, já era conhecido dos parentes.
A irmã de Aldenir, Aurilene Parente, 29 anos, conta que a família não sabia que a forma de transporte é ilegal. Apenas veículos cadastrados na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) podem fazer esse tipo de viagem. “Ficava aproximadamente R$ 80 mais barato por cada passageiro. O condutor era uma pessoa de boa índole, que sempre dirigia na velocidade da via”, conta Aurilene, que veio para Brasília de carro um dia antes do acidente com o esposo, os dois filhos e a irmã mais velha.
“Voltamos porque meu esposo iria trabalhar. Se não fosse isso, o número de mortos e feridos poderia ser maior”, acredita.
Aurilene também perdeu dois primos – Antônio Aristides Aguiar Silva e Evaldo Azevedo Sousa. A designer de interiores afirma que Aldenir seria enterrada ainda ontem no Ceará, em virtude do estado do corpo. “É uma tristeza sem fim. Toda uma família foi destruída”, emociona-se.
Vítima voltaria de ônibus
A pedido dos pais, a outra irmã da vítima Aurilene Marques, Marlene Marques Parente, voltou de carro coma irmã Aurilene um dia antes do acidente. A auxiliar de serviços gerais conta que a irmã falecida e o marido, que ainda está internado no Hospital de Urgência de Teresina, não queriam voltar de van. “Fomos comprar passagem de ônibus para eles e os três filhos que ficaram feridos, mas todos que vinham para Brasília já estavam lotados”, relata.
Muito abalada, Marlene aponta que na viagem a irmã estava visivelmente diferente das demais confraternizações passadas. Quieta e mais calada, Aldenir não chegou nem a entrar na piscina com os familiares em um dia de sol e preferiu ficar no quarto recolhida. “Senti que ela estava mais triste e afastada. Agora vai ficar mais uma irmã faltando nas recordações de fotografia. É uma saudade louca que sangra o coração”, ressalta.
Aldenir deixou o marido e os filhos Leonardo, 14 anos; Lucas, 12; e Luan, 9, que já foi liberado do HUT. “Queremos força de Deus para podermos cuidar dos filhos da nossa irmã”, diz Aurilene.