A família de Sarah Raíssa Pereira de Castro realiza, nesta quinta-feira, a missa de sétimo dia da criança na Paróquia da Ressurreição, em Ceilândia Norte. A principal suspeita da morte da menina de 8 anos é que tenha ocorrido em decorrência do chamado “desafio do desodorante”, que vem circulando nas redes sociais.
O incidente aconteceu no dia 10 de abril. A vítima sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi levada ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), chegando a ser reanimada após cerca de 60 minutos. No entanto, não apresentou reflexos neurológicos. A morte cerebral foi confirmada três dias depois, no último domingo. A investigação está a cargo da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Norte).
Arrasado, Cássio Maurílio Batista de Castro, pai de Sarah, afirmou ao Jornal de Brasília que precisa se manter firme porque tem outra filha, de 13 anos, que depende da família. “Não podemos cair, porque como ela ficaria?”, questionou. Ele lembra da filha com dor e carinho, dizendo que ela sonhava em ser médica para salvar vidas, e acabou vítima de um desafio perigoso. “Ela dizia que queria ser médica para salvar as pessoas, não pelo dinheiro. Ela era tão boa e queria o bem de todos e vai fazer muita falta. Não tem sentimento que explique o que estamos sentindo agora”, contou.
Neste momento de luto, Cássio pede ajuda da sociedade para conseguir assistência jurídica. “Se algum pai, mãe ou qualquer pessoa interessada em ajudar nessa causa quiser me procurar, será pelas nossas crianças. Porque não foi só a Sarah que morreu. Outras crianças morreram antes dela, mas só agora teve repercussão”, lamentou.
O pai de Sarah pretende processar as empresas envolvidas, que, segundo ele, incluem a plataforma de vídeos curtos e também empresas de cosméticos. “Mas no momento eu não tenho condição financeira”, ressaltou. Para Cássio, essas empresas têm responsabilidade na divulgação e alcance de desafios perigosos. “A criança vê o desafio na internet, vai ao mercado e compra o produto. Mas, se o produto pode matar, ele deveria ser vendido só para maiores de 18 anos”, argumentou.
Cássio contou ainda que, até o momento, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) colheu os depoimentos da família e recolheu o celular de Sarah para analisar o conteúdo acessado, com o objetivo de chegar aos autores do vídeo. “Infelizmente, aprendemos da pior maneira. Agora, com nossa outra filha, estamos redobrando o cuidado com o uso da internet.”
A reportagem do Jornal de Brasília procurou a Polícia Civil do Distrito Federal na última quarta-feira (16) para obter atualizações do caso, mas não houve retorno. A morte de Sarah, confirmada no domingo (13), ainda está sob investigação.