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Brasília

Família de brasiliense atropelado na Argentina busca ajuda

Arquivo Geral

26/09/2014 7h20

O que seria uma viagem de férias, programada para durar sete dias, se transformou no pesadelo de um casal de brasilienses. A volta ao Brasil teve de ser adiada depois que o morador de Águas Claras  Thiago Henrique de Freitas Costa, 28 anos, foi atropelado por um ônibus  quando atravessava uma faixa de pedestres em Buenos Aires.

Sem dinheiro, a mulher dele, Raquel da Conceição Batista de Freitas Costa, 28, teve de contar com a ajuda de parentes, no Brasil, para conseguir pagar os gastos com a hospedagem enquanto o marido se recupera em um hospital público argentino. Aqui em Brasília, familiares da vítima reclamam que já procuraram as autoridades brasileiras em busca de um avião equipado com aparelhos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para fazer o traslado do paciente, mas o governo se nega a ajudar.

O acidente ocorreu um dia antes do fim das férias. “A lataria do ônibus atingiu a cabeça do meu filho. Parte do crânio dele teve de ser removida. Felizmente, não acertou o cérebro. Os servidores do hospital foram muito solícitos, mas agora ele precisa voltar para casa terminar o tratamento aqui. O transporte custa R$ 120 mil, não temos esse dinheiro”, lamenta pintor Cléber de Oliveira Costa, 57.

Negociação fracassada

Na tentativa de conseguir uma indenização da  empresa de ônibus,  Raquel   acionou  a Justiça, mas não obteve sucesso. “Ela tentou negociar, pedindo que a empresa pagasse o traslado do meu filho. Mas nem isso fizeram”, afirma a mãe da vítima, Carmen Lúcia de Freitas Costa, 57 anos.

Os pais moram em uma casa simples de Sobradinho. Lá, acompanham notícias do filho pela internet. Alegam que, além da dificuldade financeira, a nora   chegou a sofrer  racismo. “Ela precisa ser muito forte”, lamenta Carmen.

O casal Thiago e Raquel   deixou a filha, Maria Eduarda, 5 anos,  com os avós em Sobradinho. A menina sofre com a ausência dos pais. Já não quer comer   nem estudar. “Ela está sentindo mais que a gente. É de cortar o coração”, diz Cléber.

Eles contam que Thiago chegou a desanimar durante o tratamento devido à falta de apoio de seu país e a distância da família. Mas reagiu quando soube que o pai embarcaria ontem para Buenos Aires. Com a ajuda de vizinhos, amigos, parentes, que fizeram uma “vaquinha”, Cléber conseguiu juntar R$ 1,8 mil e comprou a passagem de ida e volta. Vou estar com meu filho”, disse, com a voz embargada.

MRE acompanha caso
 
Por meio de nota enviada à reportagem do Jornal de Brasília, a Assessoria de Comunicação do Ministério das Relações Exteriores (MRE) garante que os brasileiros têm recebido a ajuda necessária em Buenos Aires. 
 
“O Consulado-Geral do Brasil em Buenos Aires tem prestado todo o apoio cabível à esposa do nacional brasileiro desde o dia do atropelamento. Funcionário consular tem buscado tranquilizar a esposa do nacional brasileiro e foram-lhe disponibilizadas as instalações do Consulado-Geral para qualquer providência necessária. O Consulado-Geral tem acompanhado, também, a evolução do estado de saúde do nacional brasileiro”, informou o comunicado da assessoria do  Itamaraty.
 
Em seguida, o documento enviado explica que, “no que se refere ao custeio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea, não existe rubrica no Orçamento da União para cobertura de despesas dessa natureza. É um impedimento legal que o Consulado-Geral tem de acatar”.
 
“País omisso”
 
A família de Thiago, no entanto, contesta as informações prestadas pela autoridade brasileira. “Minha nora informou que o pessoal da embaixada nunca sequer foi ao quarto do hospital visitar meu filho. País omisso. É assim que tratam um cidadão brasileiro: com descaso e humilhação”, revolta-se Cléber, pai da vítima.
 
Ponto de vista
 
Apesar do desespero dos parentes de Thiago, as autoridades diplomáticas estão agindo conforme a lei. É o que afirma o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Roberto Mota Pelegrino.  Para o docente, a vítima deve acionar  a Justiça do país vizinho para requerer a ajuda financeira que será usada para o traslado. “Deve entrar com a ação contra a companhia de ônibus, pedindo o ressarcimento. Não vejo responsabilização do Consulado Brasileiro. Já pensou se cada brasileiro que tiver problema lá fora pedir ajudar ao Consulado?!”, conclui. 

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