O que seria uma viagem de férias, programada para durar sete dias, se transformou no pesadelo de um casal de brasilienses. A volta ao Brasil teve de ser adiada depois que o morador de Águas Claras Thiago Henrique de Freitas Costa, 28 anos, foi atropelado por um ônibus quando atravessava uma faixa de pedestres em Buenos Aires.
Sem dinheiro, a mulher dele, Raquel da Conceição Batista de Freitas Costa, 28, teve de contar com a ajuda de parentes, no Brasil, para conseguir pagar os gastos com a hospedagem enquanto o marido se recupera em um hospital público argentino. Aqui em Brasília, familiares da vítima reclamam que já procuraram as autoridades brasileiras em busca de um avião equipado com aparelhos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para fazer o traslado do paciente, mas o governo se nega a ajudar.
O acidente ocorreu um dia antes do fim das férias. “A lataria do ônibus atingiu a cabeça do meu filho. Parte do crânio dele teve de ser removida. Felizmente, não acertou o cérebro. Os servidores do hospital foram muito solícitos, mas agora ele precisa voltar para casa terminar o tratamento aqui. O transporte custa R$ 120 mil, não temos esse dinheiro”, lamenta pintor Cléber de Oliveira Costa, 57.
Negociação fracassada
Na tentativa de conseguir uma indenização da empresa de ônibus, Raquel acionou a Justiça, mas não obteve sucesso. “Ela tentou negociar, pedindo que a empresa pagasse o traslado do meu filho. Mas nem isso fizeram”, afirma a mãe da vítima, Carmen Lúcia de Freitas Costa, 57 anos.
Os pais moram em uma casa simples de Sobradinho. Lá, acompanham notícias do filho pela internet. Alegam que, além da dificuldade financeira, a nora chegou a sofrer racismo. “Ela precisa ser muito forte”, lamenta Carmen.
O casal Thiago e Raquel deixou a filha, Maria Eduarda, 5 anos, com os avós em Sobradinho. A menina sofre com a ausência dos pais. Já não quer comer nem estudar. “Ela está sentindo mais que a gente. É de cortar o coração”, diz Cléber.
Eles contam que Thiago chegou a desanimar durante o tratamento devido à falta de apoio de seu país e a distância da família. Mas reagiu quando soube que o pai embarcaria ontem para Buenos Aires. Com a ajuda de vizinhos, amigos, parentes, que fizeram uma “vaquinha”, Cléber conseguiu juntar R$ 1,8 mil e comprou a passagem de ida e volta. Vou estar com meu filho”, disse, com a voz embargada.