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Brasília

Falta material de higiene nos hospitais do DF

Arquivo Geral

05/04/2016 6h00

Jéssica Antunes

jessica.antunes@jornaldebrasilia.com.br

Tosses e espirros são comuns nos corredores e nas salas de espera de unidades de saúde. Se a recomendação é se proteger do contágio por meio da limpeza de mãos, quem procura por produtos de assepsia nesses locais fica à mercê da sorte. O Jornal de Brasília visitou centros de saúde e hospitais e teve dificuldades de encontrar sabonetes e álcool em gel disponíveis aos pacientes.

No Centro de Saúde 11 da Asa Norte, por exemplo, os recipientes do banheiro e do corredor estavam vazios, e os brasilienses, portanto, sem alternativa para higienizar as mãos em local com grande circulação de vírus.“É uma falha do posto, e acho perigoso”, diz a aposentada Maria da Conceição, 63 anos.

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Com medo da gripe, ela conta que toma precauções com a família: “Uso álcool em gel o tempo todo e tomo Vitamina C. Eu encontro álcool tranquilamente nas farmácias e até nos mercados. Ando com um frasco dentro da bolsa”. Seu esposo teve febre alta por dois dias e nenhum exame confirmou o diagnóstico. “Estou apavorada”, admite Maria da Conceição. 

No Hospital Regional da Asa Norte (Hran), produtos de limpeza pessoal só estão disponíveis na ala pediátrica. Aos adultos, resta lavar as mãos apenas com água. No Pronto Socorro Obstétrico, a comerciante Maria Oliveira, 48 anos, não conseguiu se higienizar: “Procurei, mas não tinha sabonete no banheiro e não encontrei álcool em gel. A torneira do lado de fora nem funciona. É complicado. Muitas vezes, a gente vem tratar uma doença e volta com sintomas de outra”.

Nas farmácias, ainda não houve alteração considerável nas vendas que indique relação com o crescimento de casos confirmados de contaminação de H1N1. A saída de álcool em gel individual e coletivo segue em ritmo padrão no último ano. O preço do recipiente varia de R$ 3,50 a R$ 30, dependendo do modelo.

Versão oficial

A Secretaria de Saúde admitiu, em nota, a falta de produtos de limpeza pessoal em unidades médicas do DF. O órgão informou que houve uma falha na distribuição de álcool em gel e sabonete por parte da empresa terceirizada de serviços gerais aos setores do Hran.

No entanto, “a direção da unidade já havia constatado a ausência do material e solicitou a reposição imediata”. No Centro de Saúde 11, a informação é que houve “um desabastecimento excepcional, mas que está sendo normalizado”. Não há, todavia, desabastecimento dos materiais para os profissionais. Esses, sim, de responsabilidade da pasta. 

Campanha de vacinação

Entre 30 de abril e 20 de maio, o Brasil terá campanha de vacinação contra a gripe. A imunização protege contra H1N1, H3N2 e influenza B (caso mais grave). A expectativa da  Secretaria de Saúde é imunizar 600 mil pessoas entre grávidas, idosos, crianças entre seis meses e cinco anos, mulheres com até 42 dias após o parto e doentes crônicos. 

O período pode ser antecipado. Segundo o subsecretrário de Vigilância de Saúde, Tiago Coelho, há diálogos semanais com o Ministério da Saúde para adiantar ou não a campanha. No ano passado, o prazo foi prorrogado após 57% do público procurar os postos. No fim da campanha, 523.452 pessoas receberam a vacina. 

A Saúde informou que há 15 mil comprimidos disponíveis do remédio Tamiflu nos estoques do DF. O medicamento é utilizado para combater os vírus da gripe, incluindo o H1N1, e é suficiente para atender dois meses de demanda. Os comprimidos serão distribuídos gratuitamente a pacientes com duas vias da receita médica (veja onde encontrá-los no quadro acima). A recomendação é que seja ministrado nos dois primeiros dias após aparecimento dos sintomas.

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