Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com
Hortaliças cultivadas sem agrotóxico por voluntários em uma chácara de Planaltina alimentam crianças e idosos de instituições carentes do Distrito Federal, mas o futuro do projeto está em risco. A falta de água compromete o cultivo e 40% da área já não pode ser irrigada pela antiga cisterna. Para manter as produções e doações, a Horta Solidária arrecada verba para construir um poço artesiano.
A Horta Solidária é um projeto sem fins lucrativos mantido com doações. A iniciativa de plantar e doar é da servidora pública Leila Lima, 46 anos, que adquiriu uma infecção por consumo de agrotóxicos e passou a plantar os alimentos tanto para consumo próprio quanto para doação há quase três anos. “Descobrimos que esses alimentos não são usados em instituições carentes porque não são doados. Geralmente chegam agasalhos, alimentos não perecíveis, mas dificilmente folhagens e vegetais”, conta.

João Stangherlin
PELA METADE
Entre crianças da Casa da Mãe Preta do Brasil e idosos do Instituto Integridade, no Park Way, quase 400 pessoas recebiam semanalmente os alimentos frescos, mas a atuação foi reduzida pela metade por conta da crise hídrica. Hoje, o cultivo é abastecido por uma cisterna, que capta água do lençol freático. Com o fim do racionamento, anunciado pelo Governo de Brasília para o dia 15 de junho, a tendência é que o consumo na cidade aumente, o que pode reduzir o acesso dos voluntários.
Eles já sentem os efeitos da crise: 40% do terreno de 20 mil metros quadrados não podem ser irrigados. Sem água suficiente para toda a área, já não é possível cultivar vegetais com maior tempo de manejo. Se antes brotavam produtos como cenoura, brócolis, repolho, berinjela e tomate, agora há restrição às folhagens, como hortelã, alface e couve. “Tivemos que optar por culturas que levam menos tempo e temos que revezar entre as instituições” lamenta Leila Lima.
“O convênio com a Secretaria de Saúde não supre a necessidade. Sem doações não conseguimos manter. Com a crise, diminuiu a quantidade da doação, mas ainda é importante para nós”, diz a orientadora pedagógica da creche, Rose Ney Cândido. Ali, 138 crianças passam 10 horas por dia. A nutricionista da instituição revela a estratégias para incluir esse tipo de alimento na dieta dos pequenos e estratégias para que comam. “Colocamos o legume escondido para que os menores não vejam e recusem, e oferecemos na salada. Cuidamos da formação de hábito para introduzir o alimento na rotina”, diz Bruna Gonçalves.

Hortaliças doadas fazem parte do cardápio de crianças de creche. Foto: João Stangherlin
POÇO ARTESIANO
Com o início do período de estiagem, os voluntários temem a interrupção total do plantio e tentam construir um poço artesiano para manter as produções. A outorga para perfuração já foi autorizada pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa), agora faltam os recursos.
O custo para construção de uma infraestrutura composta por poço artesiano, casa de bombas e reservatório pode custar até R$ 50 mil e a campanha “Não deixe esta fonte secar” busca doações para contribuir com a manutenção do projeto. As doações podem ser feitas por meio de vaquinha online ou por depósitos bancários. A chácara, em Planaltina, abrirá as portas no próximo sábado para visita guiada.
SERVIÇO
Projeto Horta Solidária
Endereço: Rodovia DF 205 – Rua F chácara 14 Jardins do Morumbi – Planaltina, Distrito Federal.
Contato: Alacides 9 9625-6924
Vaquinha online: aqui
Doações em dinheiro:
Banco: 756 – SICOOB
Agência: 4001 – Conta Corrente: 112.196-0
Instituto Brasil Solidariedade
CNPJ: 25.051.684/0001-81
SAIBA MAIS
Segundo a Adasa, a resolução nº 350 de 2006 estabelece os procedimentos gerais para requerimento e obtenção de outorga prévia e de outorga de direitos de uso dos recursos hídricos, em corpos de água de domínio do Distrito Federal e naqueles delegados pela União e Estados.
As outorgas dependem das condições de uso e ocupação do solo, da recarga dos aquíferos e da preservação da qualidade da água. A documentação necessária para regularização da perfuração estão disponíveis no site da agência (www.adasa.df.gov.br).