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Brasília

Falsa taróloga é solta após aplicar golpe de quase R$ 16mil

Arquivo Geral

20/04/2015 17h45

Em menos de 24 horas, a justiça soltou a falsa taróloga Karina Cristo Yanof e o seu esposo, Otávio Luiz Jorge Neto, ambos de 21 anos, após o pagamento de fiança no valor de R$4mil para cada. No último sábado (20), eles foram presos em flagrante ao dar um golpe de cerca de R$ 16 mil em um cliente que estava a procura de apoio espiritual. Com o dinheiro conquistado através das vítimas, o casal tinha uma vida de luxo e repleta de regalias.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Ataliba Nogueira, da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (CORF), o casal mantinha um consultório há pelo menos sete anos, em Águas Claras. No dia 8 de abril, a vítima, um homem de 34 anos, estava passando por um momento complicado e pesquisou na internet um lugar para buscar auxílio de guias espirituais. Durante a navegação, ele encontrou o endereço do estabelecimento da golpista.

Crime

Inicialmente, ela cobrou a consulta no valor de R$ 60, mas informou ao homem que um amigo próximo havia feito um trabalho contra ele e que seria necessário realizar uma limpeza espiritual para livrá-lo do carma. “Ela aterrorizou a vítima informando que haviam matado um animal e, em seguida, misturaram o sangue dele com os ossos e enterraram em um cemitério. Para o ritual, ela informou que teria que comprar 34 velas e depois encaminhar para Salvador, onde o trabalho seria feito”, detalhou o delegado Ataliba Nogueira. O valor total investido nessa primeira purificação foi de R$990. 

Dois dias depois, o homem voltou ao estabelecimento a fim de ter informações sobre o ritual. A autora alegou que as entidades estavam pedindo doações de cestas básicas para que pudessem concluir o procedimento. “Karina ofereceu acompanhar o cliente até um supermercado próximo ao consultório para facilitar. Lá, ele passou R$ 600 reais no cartão e deixou de crédito para ser usado por ela”, contou Ataliba. 

Preocupado e ansioso, na última sexta (17), o homem tornou a procurar pela taróloga. “Nessa consulta, ela falou que havia sonhado que ele sofreria um acidente de carro fatal, mas que antes de morrer sofreria muito em cima de uma cadeira de rodas”, revelou o delegado. Para livrá-lo desse destino, Karina disse que o cliente deveria levar até o consultório o valor de R$14.300 para ser “purificado”. De acordo com ela, o dinheiro seria devolvido após o ritual. “Ele ficou amedrontado e levou a quantia até o local. Lá, ela recebeu entidades que diziam que o dinheiro estava sujo e que a vítima deveria se livrar dele”, relatou a autoridade. 

O homem deixou o dinheiro para a purificação e voltou para casa, onde conversou pela primeira vez com os familiares, que o aconselharam a procurar pela polícia e voltar para o consultório para resgatar a quantia. “Após ouvir os parentes, ele retornou ao estabelecimento. A suspeita informou que o dinheiro não poderia ser devolvido pois estava prometido, mas agendou uma nova consulta para o dia seguinte”, explicou o delegado. 

Operação

A vítima procurou a delegacia na sexta (17), onde combinou com os policiais os detalhes da operação. “Marcamos de acompanhá-lo até o estabelecimento. Se a autora não devolvesse a quantia, daríamos voz de prisão em flagrante”, informou o delegado. No local, a suspeita tinha sempre a companhia do marido e dos filhos, um de três anos e o outro de seis meses de idade. 

No dia seguinte, o homem entrou na sala onde costumava se consultar e pediu o dinheiro, que não foi devolvido. “Quando ela negou a devolução da quantia, entramos no estabelecimento e tentamos um diálogo. Primeiro ela contou que a quantia estava na Asa Norte, depois na casa dos sogros em Vicente Pires e, finalmente, o marido revelou que havia R$ 11.800 no carro do casal”, relatou Ataliba. No interrogatório, a suspeita contou que o restante do dinheiro havia sido utilizado para comprar o material do ritual. 

Os dois foram autuados por estelionato e poderão pegar de um a cinco anos de reclusão. Nenhum dos dois tinha passagem pela polícia. 

Antecedentes

Em 2014, o casal fez uma outra vítima. Na época, eles conseguiram usurpar da mulher a quantia de R$ 8 mil. “Os estelionatários se aproveitam dos momentos de fraqueza das vítimas. Queremos ajudar essas pessoas que buscam o apoio e são enganadas”, concluiu Ataliba Nogueira. 

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