Raphaella Sconetto
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A falha que causou o descarrilamento do metrô na manhã desta quarta-feira (28) poderia ter sido evitada. É o que indica Renata Campos, diretora de comunicação do Sindicato dos Metroviários (SindMetrô). “A gente bate na tecla de que os trens não passam por manutenção adequada. Terça-feira o mesmo trem foi recolhido para manutenção por conta do freio. Quando não tem reparo, a gente pode prever que uma situação como essa pode acontecer a qualquer momento, e com mais consequências”, dispara.
O sindicato não possui dados de quantas falhas o metrô apresentou no ano passado, mas garante que são corriqueiras. “Tem todos os dias. Só não é divulgado. Nosso equipamento é antigo, o sucateamento acontece, porque é inevitável. É impossível manter uma frota nova, sendo que a própria empresa adquire peças usadas para fazer manutenção”, critica.
“Não adianta o governo querer ampliar antes de se preocupar com o que já tem. Tem que pensar muito, porque não é só aumentar, é pensar em segurança”, completa.
O JBr. questionou a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) acerca das críticas, mas não obteve resposta até esta publicação.
Contrato para manutenção é alvo de ação
No dia 11 de dezembro de 2017, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (Prodep) ajuizou ação civil pública contra a empresa Siemens em razão da formação de suposto cartel para fraudar licitação para a contratação dos serviços de manutenção do sistema metroviário do DF. O MP solicitou a reparação dos danos materiais e morais coletivos, no valor de quase de R$ 240 milhões, pelos atos ilícitos praticados pela empresa.
A Prodep pediu a condenação da Siemens ao pagamento de R$ 119.537.045,41 por danos materiais, valor equivalente a 25% do total recebido ao longo de sua participação na execução do Contrato nº 16/2007, em razão do sobrepreço na contratação ocasionado pelo cartel. De acordo com a ação, a conduta da empresa também causou danos imateriais que atingiram toda a sociedade brasiliense. Assim, requereu-se também a condenação em mais 25% do total recebido ao longo do contrato, a título de danos morais coletivos, totalizando R$ 239.074.090,81.
Antes do ajuizamento da ação, o MPDFT propôs um termo de ajustamento de conduta (TAC), com a reparação voluntária dos danos. A atuação extrajudicial traria uma solução imediata do tema, mas a Siemens não deu prosseguimento às tratativas. O processo tramita sob segredo de Justiça, uma vez que a ação é fundamentada por documentos oriundos do acordo de leniência ajustado pela empresa com o Cade.