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Brasília

Explosão assusta e deixa desabrigados na 409 Norte

Arquivo Geral

16/12/2013 7h32

A explosão em um restaurante deixou três pessoas feridas e acarretou a interdição de um prédio de uso misto, com 73 quitinetes,  na 409 Norte. Ainda não se sabe o que provocou o acidente no Restaurante Frejo, mas a hipótese mais provável é que tenha havido um vazamento de gás.

Por volta de 7h15 de ontem, moradores e vizinhos do prédio ouviram um estrondo e ficaram sem saber o que tinha ocorrido. Quem vive nas quitinetes desceu apavorado com o barulho. “Quando abri a porta do apartamento, vi uma nuvem branca de gesso. Meu apartamento foi um dos mais afetados, porque está embaixo do restaurante. Um pedaço do forro caiu na minha cabeça”, disse o contador André Silveira, que teve que levar três pontos na testa.

Nas lojas e quitinetes localizadas no térreo e nos dois pisos superiores do prédio, paredes inteiras desabaram. As fachadas de vidro das lojas e da entrada do edifício foram estilhaçadas e estruturas de metal arremessadas para a área de estacionamento que fica em frente.  Os produtos de uma loja de beleza próxima à entrada do prédio ficaram esparramados pela calçada. Até mesmo edifícios vizinhos chegaram a ter vidros quebrados. 

Segundo a PM, antes da chegada da cobertura policial, mercadorias que foram arremessadas na rua foram saqueadas.

Logo após a explosão, o estudante Iuri Correia pensou somente em deixar rápido o apartamento e temeu pelo pior. “Pensei que a gente ia morrer. Depois disso, tiramos uma pessoa que ficou presa no apartamento ao lado, arrombando a porta”, relatou.

Já o comerciário Rafael Varela pensou que a explosão tivesse origem em um dos carros estacionados. “Aqui na frente do prédio ficou uma nuvem branca. Só depois fui perceber que era o gesso espalhado pela explosão”, afirmou.

Estrondo

A advogada Sandra Dutra tinha o hábito de estacionar na parte comercial da quadra, mas no sábado à noite deu a volta e parou perto dos prédios residenciais. Quando saía de manhã para fazer um concurso público, ela ouviu um estrondo. “Se tivesse parado onde costumo deixar o carro, teria sido atingida após explosão”, contou.

O eletricista Reginaldo Lima é dono de um salão de beleza no prédio afetado pelo acidente e ficou desolado com a notícia. “Ligaram para a minha mulher avisando o que aconteceu. Nós viemos correndo, desesperados. É o nosso rendimento. Minha esposa está muito abatida. Não sei quanto tive de prejuízo, mas ficar fechado já é ruim”, contou, com lágrimas nos olhos.

Liberação só após laudo especializado

A explosão mudou a rotina de comerciantes, moradores e transeuntes. O bloco C da quadra comercial onde o acidente ocorreu continuará totalmente interditado até que o proprietário do restaurante apresente um laudo especializado em patologia de edificações,  com um cronograma para recuperação da área. Enquanto isso, tanto moradores quanto empresários não poderão ocupar o local. Já os apartamentos dos prédios residenciais da  quadra em frente tiveram janelas quebradas e até a estrutura dos blocos apresentaram rachaduras.
 
Para minimizar os transtornos, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros estudaram estrategicamente a possibilidade de os moradores das quitinetes entrarem no prédio para pegar objetos pessoais. Por volta das 17h30 a entrada foi autorizada, mas com restrições e cuidados. Apenas um morador de cada apartamento era autorizado a subir por cinco minutos, acompanhado de um militar do Corpo de Bombeiros ou de um servidor da Defesa Civil. Além disso, eles precisaram usar uma roupa adequada de proteção dos bombeiros para diminuir o impacto no caso de algum desabamento, além de capacete e sapato fechado.
 
Risco calculado
 
O subsecretário de Operações da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, destaca que o risco foi calculado. “No cenário, há uma variação de temperatura, dilatação e contração. Por isso, as pessoas estão subindo em silêncio  para que o militar observe cada comportamento da estrutura, estalo e queda de material”, destaca.
 
As situações mais críticas constatadas pela Defesa Civil são as de duas vigas, um pilar e uma laje. Um dos pilares foi rachado no meio e a laje descolou da viga, o que ameaça um desabamento. “A sorte é de que não havia ninguém no local no momento do acidente, mas a situação está muito delicada, principalmente em um trecho de circulação de pessoas”, explicou Bezerra.
 
 Moradora de um dos apartamentos, Maria de Fátima Batista, 57 anos, foi a primeira a subir no prédio. Ela saiu com duas malas de roupas e documentos. “O resto eu deixei e tranquei a porta. O transtorno é imenso, tanto do susto quanto por não saber o que vai acontecer a partir de agora”, esclareceu.
 
Proprietário não tem ideia do que ocorreu

Na noite de sábado, o restaurante ficou aberto até a madrugada, por volta de 1h. Isso porque houve uma confraternização de fim de ano de amigos próximos aos proprietários do estabelecimento. O dono do restaurante, Luciano Duttra, afirma que antes de fechar a loja foram verificados o gás, as luzes e a água. “Todas as torneiras estavam fechadas, as luzes apagadas e ainda verifiquei o gás, que foi trocado no próprio sábado. Uma mangueira nova também foi trocada havia um mês”, destaca.
 
O local é alugado por R$ 1 mil e Luciano ainda não tem ideia do que pode ter contribuído para a explosão. Ele aguarda o laudo da perícia para reconstruir o restaurante e retomar as atividades comerciais. “No sábado, ninguém sentiu cheiro de gás, mas vamos reconstruir e voltar com o restaurante. O prejuízo foi altíssimo, mas ainda não foi contabilizado”, esclareceu.
 
O comerciante explica que o restaurante funcionava apenas com um botijão de gás de 13 quilos que era trocado uma vez por semana. A perícia do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil foi realizada no fim da tarde. A quadra comercial ficou interditada até às 18h10 quando o Batalhão da Polícia Militar (BPTran) liberou o tráfego de veículos. 
 
Poeira branca
 
Os irmãos Pedro Victor Berlage, 28 anos, e Felipe Berlage, 22, dormiam no momento da explosão. Com o impacto a porta do apartamento foi arremessada para dentro da quitinete. Logo depois uma poeira branca invadiu o local. “Foi um clarão muito forte e a estrutura tremeu muito. Achei que fosse uma sequência de trovões, depois vi que não estava chovendo, e achei que fosse um terremoto. Moradores da 110 Norte disseram que ouviram o barulho”, explica Pedro, que só conseguiu sair com a roupa do corpo.
 

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