Carla Rodrigues
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Com a aprovação dos parâmetros urbanísticos para a expansão do Guará II, o próximo passo é a venda de terrenos. Segundo o projeto de ampliação, serão criadas seis quadras: as QEs 48, 50, 52, 54, 56 e 58. Além disso, outras duas foram afetadas com a decisão – as QEs 38 e 44. A medida, no entanto, causa polêmica entre os moradores.
“Vai complicar ainda mais para nós. O trânsito já está um caos. Só vai piorar. Sem falar da violência”, opina a moradora da QE 38, a aposentada Anibalda Damasceno, 70 anos. “Se aumenta a quantidade de gente, crescem os outros problemas também. Infelizmente, não acredito que isso será bom para nós. Agora, se a decisão já foi tomada, também não temos mais o que fazer”, desabafa.
Segundo a Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Sedhab), a área em questão tem 96 hectares. E, salientou o órgão, não há nada de novo na decisão a não ser a regulamentação dos parâmetros urbanísticos, já que o projeto existe desde 2009. “Trata-se de uma área onde já existia projeto urbanístico registrado, o que faltava era a regulamentação dos parâmetros urbanísticos, essenciais para aprovação de projetos de arquitetura”, explicou a pasta.
Moradias
A área deve dar espaço a duas mil famílias nas oito quadras envolvidas no projeto. São 1.758 lotes para habitação unifamiliar, 20 para moradia coletiva, 19 para uso misto (comércio e residências) e seis para uso institucional, como escolas.
O registro do projeto foi feito em 18 de maio de 2009. Em dezembro passado, integrantes de associações de moradia do Guará comemoraram a aprovação do texto pelas comissões de Meio Ambiente e de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa do DF. Reação diferente da de habitantes antigos.
Opiniões diferentes sobre questão
“Moro na QE 38 há 20 anos. Neste tempo todo, com as invasões e casas surgindo, só vi a cidade piorar. A violência só aumenta. E a verdade é que não sabemos quem vai morar nessas quadras. Não acho a ideia boa”, opina Manuel José de Melo, 57 anos. Para ele, “o Guará já expandiu demais”. “Eles têm que se preocupar em fazer funcionar o que já existe”, critica.
Diferentemente de Manuel, as donas de casa Maria Rosa, 49 anos, e Vera Lúcia Alves, 50, acreditam que a expansão será positiva, pois, atualmente, o terreno serve apenas para abrigar lixo e até carros roubados. “Para piorar, é um ponto de tráfico de drogas”, diz Vera.
Segundo a dona de casa, a dúvida agora é saber onde serão criadas casas na QEs 44 e 38. “Acho que elas não têm mais para onde crescer”, afirma. “Esperamos que as pessoas que venham sejam boas, porque o Guará já está muito violento”, completa Maria.
Um morador da QE 44 aponta os locais abandonados, que hoje serviriam apenas para juntar lixo e “bandidos”. “É muito perigoso. Hoje, esse local só junta o que não presta”, salienta o comerciante Cláudio de Holanda, 50 anos.
Saiba mais
As vendas dos terrenos serão realizadas por meio de processo licitatório.
Alguns lotes já foram, inclusive, licitados pela Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap).
Os outros pertencem à Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab).
Os aspectos definidos pelas planilhas de parâmetros urbanísticos são: afastamentos mínimos obrigatórios, taxa máxima de ocupação, coeficiente de aproveitamento e taxa de permeabilidade.