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Brasília

Exemplo: Uma idosa que não para de correr

Arquivo Geral

25/12/2013 8h43

Uma pessoa que desaprendeu a caminhar depois que passou a realizar todas as atividades do dia correndo. É assim que Maria Salete Gomes da Silva, atleta de 73 anos com mais de 60 corridas de rua no currículo, se define. Esbanjando energia e vitalidade, a piauiense, de Parnaíba, guarda na sala de casa uma coleção de medalhas e troféus conquistados desde quando se apaixonou pelo esporte, aos 53 anos de idade.

 Com oito filhos, 18 netos e cinco bisnetos, Maria veio para Brasília em 1971, quando foi abandonada pelo marido e teve que criar os filhos sozinha. Sempre muito ativa, ela deu conta do recado, trabalhando por muito tempo como cozinheira e prestando serviço de limpeza para conseguir sustentar a família. Ela não completou os estudos, mas sabe ler e escrever.

Sem medo

 “Nunca tive medo do trabalho e desde criança sou muito esperta e agitada. Não sei nem o que significa a palavra preguiça, pois tive que trabalhar muito para criar a minha família. Sempre encarei todos os desafios com muito prazer e tenho orgulho disso. Não sei o que é ficar parada”, comenta Maria.

 Ainda assim, a maior conquista dela foi o esporte, que entrou em sua vida por acaso. Foi durante as aulas de hidroginástica que o atual treinador da atleta descobriu o seu talento e a incentivou. “Comecei a fazer hidroginástica para me movimentar, mas a atividade física não me agradava muito, pois era muito leve e não exigia de mim tudo o que eu podia dar. Por isso, fazia o caminho de ida e volta até as aulas correndo e sempre passava em frente ao Estádio Adonir Guimarães, em Planaltina. Foi quando o meu atual treinador me viu e me convidou para fazer um teste”, conta ela.

 Desde então, Maria abandonou a atividade dentro da água para encontrar no asfalto a alegria de continuar se exercitando. A paixão pelo esporte foi tão grande, que nem um problema no joelho direito, operado em 2004, foi capaz de desanimar a atleta. Ainda que o médico tenha pedido para ela parar, Maria se recuperou e deu continuidade ao que a deixa realizada. 

Competições

 A competição mais recente foi o Circuito da Longevidade, realizada em novembro em Brasília, na qual Maria correu seis quilômetros em 51 minutos. Para ela, o importante é completar a prova e não ganhar sempre. Ainda assim, ela já ocupou o primeiro lugar do pódio cinco vezes. 

Só falta aprender a andar de bike

Maria Salete não para nunca. Como se não bastasse, ela ainda arruma tempo para fazer academia, artesanato, costurar, dançar forró e cuidar de um jardim, que exige muita dedicação. Além disso, o sonho da atleta é aprender a andar de bicicleta. “Quando vejo meu filho andando profissionalmente fico morrendo de vontade de me arriscar nessa nova atividade, mas tenho um pouco de medo de machucar o joelho e não poder mais correr”, declara.
 
Para Maria, o grande segredo para tamanha vitalidade é não parar de se movimentar. “Sou disposta, ativa, determinada, resolvida e tenho alegria de viver. Vejo muitos jovens parados e idosos também. A idade não é desculpa para ninguém, sempre é hora de começar a se exercitar. É preciso trabalhar o corpo e a mente para garantir uma velhice mais saudável e prazerosa. Eu convivo muito com jovens e me sinto tão disposta quanto eles”, completa.
 
Orgulho

Orgulhoso da mãe, o vigia José Maria Gomes da Silva não esconde a admiração. “Sempre espalho a história da minha mãe para todo mundo, pois quero que ela seja um exemplo para todos os jovens que só pensam em jogos e tecnologia. A minha mãe sim é um exemplo de saúde a ser seguido”, afirma. 
 
 

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