Uma pessoa que desaprendeu a caminhar depois que passou a realizar todas as atividades do dia correndo. É assim que Maria Salete Gomes da Silva, atleta de 73 anos com mais de 60 corridas de rua no currículo, se define. Esbanjando energia e vitalidade, a piauiense, de Parnaíba, guarda na sala de casa uma coleção de medalhas e troféus conquistados desde quando se apaixonou pelo esporte, aos 53 anos de idade.
Com oito filhos, 18 netos e cinco bisnetos, Maria veio para Brasília em 1971, quando foi abandonada pelo marido e teve que criar os filhos sozinha. Sempre muito ativa, ela deu conta do recado, trabalhando por muito tempo como cozinheira e prestando serviço de limpeza para conseguir sustentar a família. Ela não completou os estudos, mas sabe ler e escrever.
Sem medo
“Nunca tive medo do trabalho e desde criança sou muito esperta e agitada. Não sei nem o que significa a palavra preguiça, pois tive que trabalhar muito para criar a minha família. Sempre encarei todos os desafios com muito prazer e tenho orgulho disso. Não sei o que é ficar parada”, comenta Maria.
Ainda assim, a maior conquista dela foi o esporte, que entrou em sua vida por acaso. Foi durante as aulas de hidroginástica que o atual treinador da atleta descobriu o seu talento e a incentivou. “Comecei a fazer hidroginástica para me movimentar, mas a atividade física não me agradava muito, pois era muito leve e não exigia de mim tudo o que eu podia dar. Por isso, fazia o caminho de ida e volta até as aulas correndo e sempre passava em frente ao Estádio Adonir Guimarães, em Planaltina. Foi quando o meu atual treinador me viu e me convidou para fazer um teste”, conta ela.
Desde então, Maria abandonou a atividade dentro da água para encontrar no asfalto a alegria de continuar se exercitando. A paixão pelo esporte foi tão grande, que nem um problema no joelho direito, operado em 2004, foi capaz de desanimar a atleta. Ainda que o médico tenha pedido para ela parar, Maria se recuperou e deu continuidade ao que a deixa realizada.
Competições
A competição mais recente foi o Circuito da Longevidade, realizada em novembro em Brasília, na qual Maria correu seis quilômetros em 51 minutos. Para ela, o importante é completar a prova e não ganhar sempre. Ainda assim, ela já ocupou o primeiro lugar do pódio cinco vezes.