Ana Paula Andreola, Carlos Carone e Pedro Wolff
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Após tantas idas e vindas em pouco mais de um ano de investigações, surge agora uma nova versão para um crime que chocou todo o País. Após investigações da 8ª Delegacia de Polícia (SIA), o ex-porteiro do bloco C da 113 Sul, Leonardo Campos, 44 anos, teria confessado, na noite de ontem, a autoria do assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, 73 anos; de sua mulher, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela, 69; e da empregada da família, Francisca Nascimento da Silva, 58, em 28 de agosto do ano passado. O ex-porteiro negou, ainda, qualquer envolvimento da principal suspeita, até então, de encabeçar o crime, a filha do casal, Adriana Villela.
O diretor da Polícia Civil do DF, delegado Pedro Cardoso, confirmou que essa linha de investigação começou há cerca de 20 dias, quando um detento que serve almoço no presídio da Papuda teria ouvido o filho de Leonardo Campos se gabar para os companheiros de cela que o pai teria assassinado o casal Villela. De acordo com o diretor, a informação chegou aos ouvidos de um agente da Seção de Investigação de Crimes Violentos (Sic-Vio) da 8ª DP, que passou a investigar o comentário, com autorização da delegada Déborah Menezes, titular da área.
Ainda ontem, o ex-porteiro foi preso na cidade de Montalvânia, interior de Minas Gerais, para onde seguiram a delegada Déborah Menezes, o diretor Pedro Cardoso e o diretor-adjunto da Polícia Civil do DF, Adval de Matos. A princípio, Leonardo Campos e um suposto comparsa, Paulo Santana, 23 anos, seriam trazidos para Brasília, mas foram encaminhados para a Delegacia de Plantão Policial de Montes Claros, cidade onde foram encontradas algumas joias que aparentam ser aquelas que foram furtadas do apartamento dos Villela na noite do crime.
Porta aberta
O ex-porteiro teria confessado ao delegado da Delegacia de Plantão Policial de Montes Claros, Aluízio Mesquita, que teve acesso ao apartamento pela porta da área de serviço, que, segundo ele, estava aberta. Leonardo Campos disse ainda que não pretendia matar o casal, apenas roubar dólares e joias porque estaria precisando de dinheiro. Mas, de acordo com ele, o motivo que o levou a assassinar de forma tão cruel os três moradores do apartamento foi a indiferença com a qual José Guilherme Villela o teria tratado quando o viu em seu apartamento.
Os policiais de Montes Claros também recuperaram as joias, apreendidas com dois comerciantes do Shopping Popular, uma área construída e cedida pela prefeitura da cidade para abrigar os camelôs de Montes Claros. Dois comerciantes, conhecidos por Guga e Chopp, relataram ao delegado que compraram as joias de Paulo Santana. Eles devolveram as que não foram vendidas para que sejam examinadas.
Colaboração
Os dois comerciantes estão colaborando com as investigações. Segundo informações, o ex-porteiro também relatou em seu depoimento que sua mulher e Paulo Santana teriam envolvimento no crime. Os três devem ser trazidos para Brasília ainda essa semana.
De acordo com moradores do prédio onde ocorreu o crime, Leonardo, que trabalhou cerca de 15 anos no prédio, é natural de Montalvânia e voltou para sua terra natal pouco tempo depois de ocorrido o crime. O ex-porteiro teria montado um bar de luxo em uma das principais praças da cidade.
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