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Brasília

Estupros em alta no Distrito Federal

Arquivo Geral

05/10/2017 7h00

Autoridades apresentaram as estatísticas que apontam redução na violência. Foto: Andre Borges/Agência Brasília

Amanda Karolyne
redacao@jornaldebrasilia.com.br

As ocorrências de estupro vão na contramão dos demais números do balanço da criminalidade no DF. Enquanto os registros desse delito cresceram 8,4% no mês passado, os demais apresentaram queda. Ontem mesmo, mais um caso veio à tona: o dono de uma academia na QI 4 do Guará I foi preso e é investigado por exploração sexual e estupro de vulnerável.

Nesta ocorrência, o homem, de 67 anos, foi detido por possuir e armazenar imagens de cena de sexo explícito ou pornografia envolvendo crianças e adolescentes. Mas o crime ia além. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Ana Cristina Melo Santiago, menores aliciadas, de baixa renda, eram levadas para a chácara do autor.

“Lá, praticavam atos libidinosos, inclusive com conhecimento e auxílio das mães, mediante o pagamento de valores às genitoras e a oferta de presentes às vítimas. Por esse motivo, era conhecido pela alcunha de padrinho, uma vez que colaborava com instituições que abrigam menores”, salientou.

O homem era investigado desde 2016. Isso exemplifica o fato de que muitas vezes os crimes demoram ou deixam de ser registrados. No mês passado, por exemplo, 53 estupros constam como ocorridos naquele período, mas os registrados são 77. Em setembro de 2016, foram 71. A maioria, 45, é estupro de vulnerável, envolvendo crianças de até 13 anos.

O balanço aponta que em 93% dos casos as vítimas tinham vínculo com o autor. “A situação se dá dentro de casa, em ambiente familiar. O que é uma questão muito séria e demanda uma articulação governamental”, alega Miriam Pondaag, coordenadora de Políticas para Mulheres da Secretaria de Desenvolvimento Social.

Menos mortes e assaltos

Os demais crimes incluídos no balanço da Segurança Pública apontaram queda em setembro. Roubos a coletivos, que até então estavam em alta, caíram 5% no período, com 14 registros. Os crimes contra patrimônio como um todo tiveram uma diminuição de 10,7%. Nesses delitos estão incluídos roubos de carros e a residências, por exemplo.

O governo atribui a queda nos roubos no transporte público a parcerias entre as forças de segurança e a Secretaria de Mobilidade (Semob). O subsecretário de Fiscalização, Auditoria e Controle da Semob, Felipe Leonardo Santos Martins, acredita o bilhete único veio a agregar para esse resultado.

Adotado no último mês, o bilhete único teria retirado mais dinheiro de circulação dentro dos ônibus. “Isso desestimula a ação dos criminosos e diminui o roubo”, justifica Martins.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Edval Novaes, esse foi o mês de setembro com menor registro de homicídios desde 2002: 37 em todo o DF. Naquele mês não houve ocorrência de lesão corporal seguida de morte. Em relação aos crimes de latrocínio – roubo seguido de morte –, a queda foi de dois para três casos. Um deles ainda não foi solucionado pela Polícia Civil.

O diretor da Polícia Civil, Eric Seba, também enaltece a ação conjunta entre as forças de segurança. Ele destaca a operação em torno da moeda digital Kriptacoin, que desmontou um esquema criminoso, e revela que a ação investiga agora o envolvimento do grupo com tráfico de drogas. “É uma verdadeira organização criminosa”, resumiu.

Menos mortes no trânsito

De janeiro a setembro, o Departamento de Trânsito (Detran-DF) também contabilizou queda de mortes em acidentes. Até agora, 189 óbitos ocorreram no ano. O mesmo período do ano passado registrou 296 mortos. A redução de 45% foi considerada a maior da história.

Saiba mais

  • De janeiro a setembro deste ano, foram apreendidos 3.596 quilos de maconha, cocaína e crack. Também foram recolhidas 49.846 unidades de LSD, ecstasy e rohypnol.
  • O balanço geral da segurança também traz dados sobre os incêndios florestais. Foram queimados 6.632,50 hectares, contra 3.874,48 em 2016.
  • O DF, única unidade da Federação com estoque de leite materno, segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, Hamilton Santos, teve em setembro 1.542,4 litros coletados.

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