Os freqüentes relatos de jacarés circulando pelo Lago Paranoá motivaram o pesquisador Victor Veras Batista, check mestrando em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília, doctor a desenvolver um estudo inédito sobre a presença dos répteis na região. A pesquisa resultou em um mapeamento dos locais preferidos pelos animais.
Até o momento, illness Batista registrou 44 vezes a presença de jacarés no cartão postal de Brasília. Por mais que o número cause espanto, os répteis são naturais da região, e relativamente comuns no lago. O ponto de deságüe do Riacho Fundo, que abastece o lago pelo lado sul, registrou a maior ocorrência dos animais. Foram 28.
Todos os animais identificados no estudo são da espécie Caiman crocodilus, chamados popularmente de jacaré-tinga. “O Distrito Federal está na área de ocorrência da espécie, encontrada também em regiões da Amazônia e na Savana Venezuelana”, diz o pesquisador.
MORADIA – Os jacarés evitam locais muito movimentados, como borda de clubes ou de casas, tanto que os animais vistos ficavam nos locais em que os riachos chegam ao Lago Paranoá, onde a circulação humana é menor.
Os 28 registros de animais no deságüe do Riacho Fundo se concentravam, em sua maioria, na região da Estação de Tratamento Sul (ETE-Sul), onde viviam os quatro únicos filhotes identificados, com 40 cm de comprimento em média. Já o maior jacaré registrado tinha aproximadamente 2 metros.
Apesar de ser o braço mais poluído do reservatório, o engenheiro ambiental diz que o local concentra características apreciadas por esses bichos. “Além de ter pouca freqüência de pessoas e menos luz, possui maior oferta de alimento e abrigo para os animais.” A ETE Sul é um ponto do lago impróprio para banho.
Os demais jacarés apareceram no Ribeirão do Gama, que também chega ao lago pela região sul, com 12 registros, e no Ribeirão Bananal, que está na porção norte, mas registrou apenas quatro indivíduos. Somente no Ribeirão do Torto, também a norte, não foi encontrado nenhum espécime.
BUSCA
Encontrar os jacarés exige paciência e cautela. Batista vem fazendo rondas no lago desde julho de 2007, sempre à noite, de duas a três vezes por semana. “A luz do holofote faz o olho deles brilhar e facilita a localização”, diz. Durante a manhã, é bem difícil encontrá-los, porque a cor da carapaça dos jacarés ajuda na camuflagem.
Os trabalhos são realizados a pé, nas margens, ou em um caiaque. Silenciosa, a embarcação permite se aproximar mais facilmente dos animais. O receio da presença humana é uma das características notadas pelo pesquisador. Em um trabalho na Amazônia, Batista conta que mesmo com barco a motor os estudiosos conseguiam chegar perto dos animais, e até pegar os filhotes com a mão.
Já no lago, é grande a dificuldade em capturar os animais, provavelmente reflexo de experiências negativas vivenciadas pelos animais no contato com pessoas. Só um jacaré foi pego. Na ocasião, Batista mediu o animal, de 1,3 m, e fez uma lavagem estomacal para descobrir qual era a dieta do réptil. No estômago da fêmea adulta foram encontradas principalmente espinhas de peixe.
O pesquisador afirma que as informações do estudo, previsto para terminar em julho de 2009, ajudarão a conhecer o comportamento da espécie na região, contribuindo para a sua conservação. “As informações darão suporte a medidas para manter a integridade da população e, conseqüentemente, dos ecossistemas”, diz.
Conservação de jacarés favorece o Lago
Como jacarés se alimentam de animais, se revelam importantes indicadores biológicos. Sua conservação favorece positivamente a saúde do Lago Paranoá. A geração de informações pela pesquisa feita na UnB ajudará a entender melhor o animal, que carrega o estigma de atacar seres humanos. Segundo os pesquisadores, é importante mostrar que a presença de jacarés não deve ser vista como uma ameaça, mas sim como símbolo da qualidade de ambientes naturais, cada vez mais escassos.