Os moradores das quadras 700 da Asa Sul estão assustados com os constantes assaltos nas proximidades. Alguns dizem ter perdido a conta de quantas casas nas adjacências já foram invadidas. Mas as ações de bandidos na região vão além. Pessoas que esperam o ônibus nas paradas são alvos comuns de roubos e furtos, principalmente quando se tratam de alunos vestidos com uniformes de escolas particulares. A pracinha da Quadra 711 se transformou em um novo ponto para este tipo de crime. Por ser bastante sombreada devido às dezenas de árvores que a circundam e por ficar em um local onde não há acesso para carros, os criminosos costumam passar o dia inteiro ali, esperando para atacar em plena luz do dia.
A estudante Camila Oliveira Mota, 30 anos, mora ao lado da praça e diz se sentir insegura. “Os assaltos acontecem sempre. Nessa semana mesmo uma mulher foi abordada. Tem vezes que só ouço os gritos”, conta. “O pessoal das escolas vem muito para cá, alguns aproveitam para trazer drogas. Tenho medo porque o portão da minha casa é baixo, mas tento deixar tudo trancado para evitar riscos”, completa. Camila mora na 711 há um ano e meio e diz já ter se acostumado com as rotineiras ocorrências.
Áreas verdes
O major Antônio Marcos Alexandre da Costa, ex-comandante da 1ª Companhia do Batalhão Escolar, informou ao Jornal de Brasília que o grande problema da região trata-se das áreas verdes que cortam as zonas residenciais. “Procuramos orientar as crianças e adolescentes a não passar por elas e não levar objetos de valor para a escola. Nosso objetivo é justamente evitar esses acontecimentos”, esclarece. “Estamos com quatro viaturas e três motos patrulhando aquela área, e posso dizer que são casos pontuais envolvendo estudantes”, completa. Segundo o major, na última terça-feira, a corporação recebeu 36 novas viaturas para ajudar no policiamento da área.
Ao contrário do major, o advogado Silvestre Rodrigues da Silva, 49 anos, diz ter presenciado vários assaltos envolvendo estudantes naquela região e conta ter interferido em dois deles, correndo atrás dos bandidos. Segundo o advogado, os criminosos andam em bando. “Não sei se eles usam arma, mas eles batem nas pessoas, tomam o que tiver pela frente. Quando você chama a Polícia Militar, algumas vezes ela vem, outras não. Acho que pensam que é trote”, revela. “Isso acontece todos os dias e, por incrível que pareça, os autores são adolescentes. Inclusive, já vi alguns trajando uniformes de escolas públicas. Eles ficam rondando entre 11h40 até as 14h”, assinala. Para se proteger dos assaltos, Silva instalou câmeras, alarmes e cerca elétrica ao redor de sua casa.
O delegado-chefe da 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul, Watson Warmling, confirma a existência do problema. “Identificamos alguns casos nessas regiões. Nesse último fim de semana registramos um de roubo, mas ainda estamos apurando. O próximo passo é aumentar o policiamento”, expõe. “Inclusive, temos indícios de envolvimento de alguns menores infratores”, arremata. Warmling não descartou a possibilidade de alguns alunos de escolas da vizinhança terem participação das ações.
Por medo e receio de represálias, muitas vítimas evitam registrar boletins de ocorrência. As autoridades, porém, orientam a população a denunciar. Foi isso que fez a cabeleireira Claudia Santos Carvalho, 30 anos, quando sua filha de 12 anos foi assaltada na saída do colégio. A menina foi ameaçada de apanhar por duas mulheres. Ela estava acompanhada de uma amiga que acabou tendo o celular roubado. “Eu oriento a não passar pelas locais escuros. Tenho medo que aconteça novamente. Aquela área é complicada”, justifica.