As recentes denúncias de violência contra calouros de universidades brasileiras intensificaram a mobilização para o chamado trote solidário na Universidade de Brasília. O famoso ritual de passagem, sick regado a banhos de farinha e ovos e ingestão de bebidas alcoólicas dará lugar à prática filantrópica na chegada dos novatos. Estudantes de centros acadêmicos e do Diretório Central de Estudantes (DCE)organizam uma festa beneficente no Itapoã, capsule um dos assentamentos mais pobres do Distrito Federal.
Trotes solidários, viagra 60mg incluindo doação de sangue e prestação de serviços, são freqüentes na universidade, mas ganharam novo fôlego com a última polêmica em torno de brincadeiras abusivas. Todo início de semestre letivo, alguns centros acadêmicos aderem às ações sociais.
Desta vez, os universitários se empenham para uma mobilização maior e mais integrada. “Semestre passado teve muita reclamação de pai e mãe. Soubemos de casos de gente enterrada atrás do ICC”, conta o presidente do DCE, Fábio Félix. “Por isso achamos importante fortalecer essa outra forma de receber os calouros.”
Até agora, cinco CAs confirmaram participação – Pedagogia, Ciência Política, Engenharia Florestal, Comunicação Social e Direito, mas a expectativa é que, após reunião marcada para a terça-feira, 17 de fevereiro, outros centros também apostem no movimento. “Convidamos todos a participar desse encontro. Quanto mais CAs envolvidos, maior o apoio da UnB”, afirma um dos líderes da mobilização, Paulo Vitor Nascimento, estudante do 2º semestre de Pedagogia.
O Decanato de Assuntos Comunitários da UnB, que mantém política de auxílio aos trotes solidários, manifestou apoio à causa. “Além do apoio, a universidade agrega a prática à campanha de boas-vindas aos calouros, que acontece no início das aulas”, afirma a decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes.
CULTURA
Trotes violentos não fazem parte da história estudantil da universidade, lembra a decana. Os mais comuns envolvem banhos de farinhas, ovos, tintas e brincadeiras como pedir dinheiro em semáforos para financiar festas organizadas pelos veteranos.
O último caso polêmico que se tem conhecimento ocorreu em 2007, quando um estudante do curso de Agronomia foi encontrado desacordado em uma parada de ônibus. O aluno tinha ingerido bebida alcoólica em excesso. Após denúncias, o CA de Agronomia ficou interditado por duas semanas.
Rachel lembra que a universidade não tem controle dos atos estudantis na recepção de calouros, porque as ações partem dos próprios alunos. Mas pode intervir quando a diversão comprometer a integridade física ou psicológica dos calouros.
A UnB dispõe de código disciplinar que abrange desde uma advertência até punições, como a expulsão do estudante. “Até hoje não há registro de trotes que tenham levado à punição”, diz Rachel.
O curso de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB é famoso por satirizar os calouros, como tingir cabelos dos homens e sujar os estudantes numa área próxima ao ICC Sul, a qual eles batizaram de curral. Também há cervejada entre eles, fora do campus.
Um dos representantes do CA do curso garante que ninguém é obrigado a participar. “Só participa quem quiser mesmo. Tanto é que, no último trote, 12 alunos não quiseram entrar e não aconteceu nada com eles”, afirma Jean Felipe Brandt, 22 anos, aluno do 10º semestre.
Ele reconhece que algumas atividades, principalmente as que envolvem bebida alcoólica, podem levar a conseqüências inesperadas. “Tem que tomar muito cuidado. Existem coisas que acontecem por acidente, não por maldade”, diz.
Anita de Medeiros, de 25 anos, se formou no curso em 2006 e se recusou a fazer parte do trote. “Eu não queria participar, porque não acho legal ficar catando dinheiro no meio da rua. Então eu inventei uma desculpa e fui embora”, conta.