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Brasília

Estudante é baleado no olho em tentativa de latrocínio na saída da escola

Arquivo Geral

25/10/2017 11h57

Divulgação

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Um rapaz de 21 anos foi baleado na altura do olho durante um assalto, no momento em que saía do Centro de Ensino Médio 1 do Paranoá, na noite desta terça-feira (24). Ronilson Silva Duarte está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. Não há informações do estado de saúde dele. Estudantes relatam falta de segurança próximo à escola e afirmam que assaltos são constantes.

O crime, enquadrado como tentativa de latrocínio – roubo seguido de morte – ocorreu por volta das 22h40 de terça-feira. Segundo a Polícia Militar, testemunhas informaram que o criminoso chegou para roubar os pertences da vítima, mas Ronilson teria se recusado a entregar. O ladrão, então, fez os disparos e depois fugiu. O caso foi registrado na 6ª Delegacia de Polícia.

Ronilson foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel (Samu) e encaminhado inicialmente para o Hospital Regional do Paranoá. O jovem agora se encontra na UTI do Hospital de Base.

Arma falhou

O criminoso não chegou a levar nenhum objeto dos estudantes que também estavam com Ronilson. Segundo uma testemunha, foi tudo muito rápido: o bandido chegou anunciando o assalto e tentou atirar duas vezes, só que a arma falhou. Então, o terceiro disparo atingiu o olho de Ronilson. A testemunha rebate a versão da PM, que apontou que os jovens reagiram, e por isso o criminoso teria atirado.

De acordo com o vice-diretor do CEM 1, Nanderson Syrlon Pereira, Ronilson cursa o segundo ano do ensino médio no período noturno. Segundo ele, os assaltos à noite são corriqueiros: “Somos três escolas interligadas: CEF 4, CEF 2 e CEM 1. Os meninos que estudam à noite, do CEF 2 e CEM 1, sofrem bastante”.

Ainda conforme o vice-diretor, as escolas já fizeram diversas solicitações por mais policiamento na região. “Mas eles sempre dão a mesma justificativa: de que aqui não tem efetivo, que eles trabalham com o regime de estatística e que os alunos não registram ocorrência, aí a rota das viaturas é pré-definida já pelo serviço de inteligência deles. Eventualmente a gente observa a presença de uma viatura, mas está insuficiente para coibir ações como essa”, relata.

Diante da situação, o grêmio estudantil está se mobilizando para uma manifestação com a comunidade, ainda sem data. “É uma forma de pressionar as autoridades”, conclui Pereira.

Estudantes têm medo

Quem estuda na região onde o crime ocorreu conta que as ruas sempre são vazias. “Estudei à noite no ano passado e é muito perigoso. Dez minutos depois do horário de saída, não tem mais ninguém na porta. Lembro que meus amigos e eu subíamos para uma parada lá em cima, na avenida, para não ter que ficar na porta da escola”, relata o estudante Marcos (nome fictício), de 17 anos.

Próximo de Marcos estava um grupo de cinco estudantes do ensino médio, que afirmou que as vias próximas ao colégio não têm policiamento. “Aqui é deserto, não tem ninguém, ainda mais à noite”, diz um deles.

Além disso, os jovens apontam que o assaltos na região são constantes. “Gente da própria escola rouba. Todo dia a gente escuta alguém dizendo que foi assaltado quando vinha ou voltava da escola”, alertam os adolescentes.

Faltam rondas

Maria Eunice Pereira, de 63 anos, tem um comércio na porta do CEM 1. Ela também reclama que não há polícia fazendo rondas nas proximidades. “Vieram esses dias porque o caso teve repercussão. Mas normalmente os bandidos assaltam professores e alunos na porta da escola e não tem polícia aqui”, critica.

Versão oficial

Em nota, a Polícia Militar reconheceu que não consegue manter o policiamento fixo em todas as escolas. “Mas mantemos sim rondas ostensivas pelo Batalhão Escolar e pelo batalhão de área, além de apoio de unidades especializadas”, afirma. A corporação alega ainda: “Infelizmente, leis benéficas geram impunidade e um número alto de reincidentes”.

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