O aluno do curso de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), Wallace Vieira da Silva, está participando da elaboração da primeira coleção completa do MapBiomas Fogo, que é o mapeamento das cicatrizes de fogo no Brasil de 1985 a 2020. O trabalho contempla as informações sobre cada um desses 35 anos, com dados sobre a frequência de ocorrência de fogos e cobertura e uso da terra queimada. Wallace e a equipe de pesquisadores elaboraram os mapas da Amazônia e do cerrado, este último, bioma da região Distrito Federal.
“Esta iniciativa fez uma classificação continental, com mais precisão que a Nasa, por exemplo”, comemorou o estudante da UnB. Quanto a classificação do MapBiomas ser mais precisa que a da Nasa, Wallace refere-se ao fato de que a classificação feita pelos brasileiros analisa imagens com resolução de 30 metros, o que possibilita um maior detalhamento que o realizado pela Agência Norte-Americana, que trabalha com resolução de 500 metros. O MapBiomas Fogo foi lançado no dia 16 de agosto.
De acordo com mapas elaborados, 533,4 milhões de hectares do cerrado no Distrito Federal já pegaram fogo nos últimos 35 anos analisados. Os anos em que aconteceram mais queimadas no DF foram 1.998, com 22,1 milhões de hectares e 2007, com 23,5 milhões, contando a vegetação natural e a antrópica – que sofre ação do homem. Nos últimos três anos analisados, as queimadas no DF atingiram 7,9 milhões de hectares em 2018; 14,5 milhões, em 2019; e 14,2 milhões, em 2020.
Segundo Wallace, os mapas realizados apontam aumento de desmatamento nas áreas naturais, o que faz com que aumentem as emissões de carbono e o aquecimento do planeta. Ele destacou que o desmatamento predatório prejudica a produção de fotossíntese, por falta de vegetação, assim como a compactação do solo, ao receber a água das chuvas diretamente, sem a proteção da cobertura vegetal.
Na região Centro-Oeste foi registrada uma redução do desmatamento no cerrado, que teve como consequência a queda de 10% no número de alertas entre 2019 e 2020. Foram 5.617 alertas registrados e 239.255 hectares de vegetação nativa suprimida no período, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil – 2020, produzido a partir dos dados do MapBiomas Alerta.