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Brasília

Estrada Parque Dom Bosco vai passar por reformas

Arquivo Geral

28/08/2012 7h03

Andréia Castro
Especial para o Jornal de Brasília

 

A curva da Estrada Parque Dom Bosco (EPDB), localizada na QL 26 do Lago Sul e que dá acesso à Ponte JK, causou vários acidentes  desde que foi criada – foram 16 em seis anos. Após muitas reclamações e processos movidos contra o Governo do Distrito Federal, o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF)  adequou a alça de acesso, finalizando a obra este mês. Para  especialistas e vítimas de acidentes,    falta muito para que Brasília se torne segura para os motoristas.

 

Um capotamento em 2004 nesta mesma via de acesso à Ponte JK quase deixou a servidora pública Tatiana Montezuma paraplégica. Ela perdeu o controle do carro na entrada da pista, colidiu no meio-fio do lado esquerdo – oito centímetros mais alto do que deveria –, atravessou a via e o veículo capotou cinco vezes no barranco do lado oposto – não havia guard rail (uma mureta de proteção).

 

O Gol que dirigia teve perda total e ela fraturou uma vértebra da coluna, quebrou os dois braços, sofreu traumatismo craniano leve e precisou passar por dolorosas sessões de tração para recolocar a vértebra no lugar. “Até hoje, sofro de estresse pós-traumático e ainda tomo antidepressivos. Mas sei que o que passei não será em vão. Entrei com uma ação contra o governo para que o que aconteceu comigo não ocorra com mais ninguém”, explica a motorista.

Outros casos

 

O processo que a servidora move contra o GDF ainda está tramitando na Justiça. O órgão foi condenado a pagar R$ 50 mil de indenização, mas recorreu da decisão. “Agora, que eles assumiram o erro e adequaram a pista, o mínimo que eles poderiam fazer é desistir da apelação. Mas sabemos que eles não farão isso e, infelizmente, teremos que lutar mais um pouco”, lamenta a advogada de Tatiana, Juliana Zappalá Bisol, que defende outra vítima de acidente no mesmo local, a bióloga Shirley Noely Hauff.
“Meu acidente ocorreu um ano após o da Tatiana, em 2005, e   apesar das semelhanças, não consegui ganho de causa na primeira instância. A sensação que tenho é que o governo e o poder público não prezam pelo cidadão”, reclama Shirley.

 

Para o especialista em patologia de edificações e estruturas e professor da Universidade de Brasília (UnB), Dickram Berberian, “esse é apenas um dos vários trechos que inspiram maiores cuidados na cidade. Essas intervenções viárias são mais do que necessárias, mas a burocracia e a falta de verba disponível para fazer tais adequações dificultam tudo”, analisa Dickram.
Para as vítimas Tatiana e Shirley, a pergunta é a mesma: “Por que demoraram tanto para corrigir um problema que era tão óbvio?”.

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