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Brasília

Estacionamento irregular. Só o guincho “educa” o motorista folgado

Arquivo Geral

25/08/2017 7h00

Atualizada 24/08/2017 21h14

Despreocupado, homem deixa o carro bem ao lado de placa que proíbe o estacionamento. Situação comum no Setor Hoteleiro Sul, assim como no restante da área central. Foto: Breno Esaki

Matheus Venzi
matheus.venzi@jornaldebrasilia.com.br

Diferentes lugares, mesmo problema. Carros estacionados em locais inapropriados dificultam a circulação e o acesso do Corpo de Bombeiros ou outros serviços em uma situação de emergência. A reportagem do Jornal de Brasília identificou diferentes pontos no centro da cidade que sofrem cotidianamente com esse problema. Ontem, o JBr. mostrou a dificuldade dos bombeiros em se locomover nos arredores da Feira dos Importados durante uma ocorrência.

Diversos pontos no centro da cidade são conhecidos por sofrer com este tipo e problema. Os setores comerciais, bancários, hoteleiros e até mesmo a Esplanada dos Ministérios são os mais conhecidos. A reportagem visitou alguns deles e viu de perto a situação.

Setor Comercial Sul

Logo na chegada, já foi possível identificar dezenas de carros estacionados em fila dupla. Porém, o que mais chamou a atenção é a quantidade de veículos parados na frente dos hidrantes. Caso aconteça alguma emergência, os bombeiros provavelmente teriam que guinchar o automóvel para ter acesso a ele. Esse tempo perdido seria crucial para salvar a vida de pessoas ou preservar a estrutura de algum prédio.

Em um dos edifícios da área, foi possível identificar outro hidrante protegido por cones. O integrante da equipe de segurança do prédio Gabriel Oliveira afirma que se não tivesse a indicação haveria automóveis estacionados ali. “A gente tem que sinalizar para eles [os condutores] não estacionarem. Os bombeiros já vieram fazer simulação aqui no prédio e pediram para que nós isolássemos o perímetro”, conta o segurança.

Saiba mais

  • De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, estacionar em local inapropriado é uma infração que pode variar de leve a gravíssima, dependendo da área. O valor das multas vai de R$ 88,38 a R$ 293,47, além da perda de pontos na Carteira Nacional de Habilitação conforme a gravidade. Estacionar na área destinada aos bombeiros, por exemplo, é uma infração gravíssima.
  • O capitão do Corpo de Bombeiros Ronaldo Reis afirma que os automóveis podem ser até guinchados. “Numa situação de urgência nós podemos acionar a Polícia Militar e o Detran caso um ou mais veículos estejam atrapalhando o acesso a determinada área”, explica. Ele destaca que cada minuto faz diferença no atendimento a uma ocorrência.

Nem aí

O vigia de carros Antônio Nascimento trabalha na área há 39 anos e afirma que sempre avisa os condutores para não estacionar nos locais dos bombeiros. “Eu tento avisar, mas muitos não escutam. Também não é só culpa deles, aqui falta vaga. Fizeram uma obra recentemente dizendo que iam construir um jardim, mas acabaram só diminuindo as vagas”, diz.

O trabalhador já presenciou mais de uma vez a dificuldade do acesso dos veículos de emergência ao local. “Às vezes vêm ambulâncias aqui atender muitos dos moradores de rua que passam mal. A gente tem que tirar quatro, cinco carros pra eles conseguirem entrar”, relata Antônio.

Cidadania ficou em casa

No Setor Hoteleiro Sul o cenário é semelhante: filas duplas e circulação complicada. Além disso, foi possível ver veículos ao lado da placa de proibição. Outro problema da localidade é que muitos condutores utilizam o local destinado a táxis.

Um taxista, que não quis se identificar, reconhece que a falta de vagas contribui para esse tipo de situação, mas não inocenta os motoristas. “É uma falta de respeito, principalmente quando estacionam nas nossas vagas. Volta e meia a fiscalização vem aqui para multar os irregulares”, expõe.

Durante a visita ao local, também foi possível identificar uma pessoa colocando o carro ao lado da placa que proibia o estacionamento. O motorista saiu do carro e aparentemente não demonstrou preocupação pela atitude.

No Setor de Autarquias o espaço era bem menor, e até carros pequenos passam sufoco. Os prédios isolaram a áreas dos bombeiros com cones para evitar transtornos. Mesmo assim, os condutores recorrem às filas duplas e a outros locais proibidos para deixar os veículos.

“Eu consigo vaga só quando chego cedo. Quando eu preciso sair no almoço para resolver alguma coisa, acabo utilizando o transporte público para não perder a vaga”, explica a analista de negócios Mônica Lucatelli. Ela acredita que os prédios não foram projetados para a quantidade atual de pessoas e por isso alguns não têm garagem.

Mônica também conta que o Detran vai ao local toda semana. Mas nem isso adianta. “Aí sempre tem correria. Tem gente que ainda arrisca, mas eu prefiro não correr o perigo de ser multada”, declara.

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