Jéssica Antunes
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A folia está em clima de tensão. Um tiroteio matou um jovem e deixou outro ferido no último sábado, quando acontecia o bloco Encosta Que Cresce, nas proximidades da Funarte, no Eixo Monumental. Uma semana antes, um homem ficou desacordado após uma briga perto do Suvaco da Asa, no mesmo lugar. No ano passado, três homicídios foram registrados durante o Carnaval, e as ocorrências registradas antes mesmo do início oficial da festa acende o alerta para a segurança. O Governo de Brasília classifica como fato isolado e diz que o planejamento não mudará.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social, antes do início do pré-Carnaval, foi realizado um planejamento individual para todos os blocos cadastrados no governo, e o esquema não deve ser alterado pelos últimos acontecimentos. “Há apoio de equipes especializadas da Polícia Militar, como Rotam, BpChoque e Cavalaria, para eventuais reforços nos eventos”, destacou, em nota.
Morador de Samambaia, Wesley Sandrikis da Silva tinha 29 anos, estudava Educação Física em uma faculdade particular e tem o nome envolvido em pelo menos 14 ocorrências policiais. Ele foi atingido por três tiros no tórax em uma briga no bloco que tinha cerca de 6 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, morreu ainda na noite de sábado e foi velado na manhã de ontem, no Campo da Esperança do Gama, por cerca de 250 amigos e parentes, que usaram um ônibus fretado para chegar ao local. A família não quis se pronunciar.
“O fato, com certeza, foi isolado”, acredita o subsecretário de Operações de Segurança, coronel Márcio Pereira. “Indícios nos levam a crer que foi acerto de contas. Tinha efetivo, estava de acordo com o planejado com a previsão de público”.
Álcool: “fator de risco para violência”
O subsecretário de Operações de Segurança, coronel Márcio Pereira, ressalta que, em evento carnavalesco, há ingestão de álcool, e “vários fatores de risco associados no mesmo ambiente que, infelizmente, podem canalizar para um resultado como esse”. Ele ainda diz não ser possível evitar homicídios: “Quando a pessoa tem a intenção de matar, fica muito difícil para nós, enquanto segurança pública, fazer a prevenção. Por questão estratégica, não divulgamos efetivo, mas está tudo sob controle”.
O outro baleado não teria relação com a vítima. Herbert Max, 19 anos, foi encaminhado ao Hospital de Base após os projéteis o atingirem no glúteo e na perna direita. Ele já foi liberado. Segundo a Polícia Civil, ainda não se sabe a motivação do crime, e ninguém foi preso.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública lamentou o ocorrido e informou que “o aumento de efetivo nas prévias tem sido marca expressiva do Carnaval de Brasília em 2016, sobretudo nos eventos do Plano Piloto pelo volume e densidade” para “garantir a segurança, alegria e tranquilidade das folias e das manifestações multiculturais”.
Briga no Suvaco da Asa
No dia 23 do mês passado, um homem ficou desacordado após uma briga entre foliões no bloco Suvaco da Asa, entre a Torre de TV e a Fundação Nacional das Artes, no Eixo Monumental.
Nas imagens veiculadas nas redes sociais, dois homens trocaram socos e chutes. Um deles, ao cair no chão, foi pisoteado várias vezes no rosto.
Mesmo com o rival inconsciente, um dos envolvidos continuou a agredi-lo.
Saiba mais
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e o comandante-geral da PMDF, o circuito das prévias do Carnaval de rua dos blocos licenciados pelas administrações regionais tem sido acompanhado presencialmente.
O apelo da segurança pública é à população. A orientação é que, caso se identifique alguém com arma, garrafa de vidro, vendendo drogas ou bebida alcóolica a adolescentes, além de crianças perdidas na festa, que seja informado ao policial mais próximo.