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Brasília

Esposas de PMs fazem ato por mais assistência do governo

Arquivo Geral

05/12/2017 14h49

John Stan

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupo.jbr.com

A farda pesa. Homens e mulheres que vivem de profissões que envolvem a segurança pública passam por provas diárias de pressão. Em situações de emergência, lidam com acidentes, crimes e tragédias. Dentro de casa, o medo dá o tom a familiares que não sabem se, no fim do plantão, aquele profissional voltará para a residência. Parentes reclamam de falta de assistência.

“Todos os dias, antes do plantão, digo para os meus filhos abraçarem e beijarem o pai como despedida”, diz Patrícia Sampaio, 37 anos. Esposa de um policial militar, ela diz que há uma série de atitudes cotidianas pautadas pela tensão, que vai desde dar voltas na quadra antes de entrar em casa até a vigilância, estilo filme de ação, quando andam pelas ruas.

Ela tem medo que criminosos saibam que ali vive um agente de segurança e queiram atentar contra todos eles. “O risco não é só dele, na rua, trabalhando, se estende a todos nós”, ressalta. Nesta terça-feira (5), com um conjunto de mais de 30 mulheres, Patrícia protestou em frente ao Centro Médico da Polícia Militar em um movimento que chegou a bloquear o Setor Policial, na Asa Sul. Elas dizem ter problemas para marcar consultas, fazer exames e ter acompanhamento clínico há mais de dois anos.

Na casa de Patrícia, há necessidade dupla de acompanhamento, Ela, diagnosticada com depressão, teve o tratamento suspenso. O filho, vítima de assalto com violência, tem encaminhamentos para assistência de saúde mental por quadros de pânico e de ansiedade.

“Estamos sem amparo, em uma situação difícil. Precisamos de medicação e atendimento médico, o que não é possível”, reclama.
Do bolso da família, saem R$ 400 mensais para arcar com as despesas do plano de saúde, uma alternativa possível com malabarismo no orçamento.

Pode se repetir

“O que aconteceu no fim de semana com o bombeiro pode acontecer com um policial e de forma ainda pior. Quantos não são os que tiram a própria vida?”, questiona Jaqueline Porto, 31 anos. Ela é uma das líderes da organização Esposas Unidas, que tem como reivindicação o acompanhamento psicológico do momento da nomeação à reforma do militar.

“Não existe um acompanhamento preventivo, só depois que acontece o problema. Por isso policiais adoecem tanto”, emenda a mulher.

A revolta deu tom ao protesto. O grupo de mulheres já se reuniu com representantes da corporação e do governo, e o tema foi discutido em audiência pública.

“Procuramos respostas e soluções, mas até hoje o retorno foi insatisfatório. Temos um sistema falho, que não nos permite agendar consultas”, reclama Jaqueline.

O esposo dela, recém-reformado por conta de uma doença rara, também busca assistência na rede privada.

Ampliação dos serviços

Chefe do Departamento de Saúde e Assistência ao pessoal da PMDF, o coronel Rogério Brito de Miranda informou que há 60 oficiais médicos no atendimento ao público, divididos em 19 especialidades. Segundo ele, a agenda de marcação de consultas é disponibilizada a cada 15 dias pela internet e é feita de forma transparente pelo próprio militar ou dependente.

“As especialidades mais procuradas são ginecologia, pediatria e ortopedia, e fazemos encaminhamentos para ampla rede credenciada de hospitais e clínicas, que será ampliada no ano que vem com credenciamento de mais três mil unidades”, afirma. Com as alternativas, o coronel diz ser “pouco provável” uma espera de dois anos.

Para os casos de saúde mental, há um psiquiatra e psicoterapeutas que desenvolvem dois programas do Centro de Assistência Social, além de uma clínica para encaminhamentos eletivos e três de internação para urgência e emergência. Para 2018, a rede deve ser ampliada com mais 23 centros conveniados. “Nossa busca é pela melhora no atendimento”, garante.

Saiba mais

  • O grupo de mulheres em protesto se concentrou em frente ao Centro Médico da Polícia Militar. Ali, bateram boca com militares e reivindicaram melhorias no atendimento.
  • Munidas de faixas, elas seguiram em caminhada até o Setor Policial Sul, na Asa Sul. No caminho, receberam apoio de militares que buzinaram viaturas durante o trajeto.

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