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Brasília

Escolas do DF são premiadas por projetos de educação ambiental

O edital reuniu 169 inscrições de escolas públicas do Distrito Federal, Salvador (BA), Recife (PE) e Rio Grande do Norte

Isabele Mendes

09/08/2026 15h31

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Foto: Divulgação/SEEDF

Três escolas públicas do Distrito Federal foram premiadas por projetos de educação ambiental desenvolvidos com os estudantes. O CAIC Juscelino Kubitschek, o Pró-Vida Centro de Educação Infantil e o CED Agrourbano Ipê, no Riacho Fundo, foram selecionados pelo projeto #EntreNoClima por uma Educação Baseada na Natureza, iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), implementada pelo Instituto Alana em parceria com a Neoenergia.

Como parte da premiação, as unidades receberão sistemas de energia solar fotovoltaica. Além de reduzir o consumo de energia convencional, os equipamentos poderão ser utilizados nas atividades com os alunos, principalmente em assuntos relacionados à sustentabilidade, eficiência energética e mudanças climáticas.

O edital reuniu 169 inscrições de escolas públicas do Distrito Federal, Salvador (BA), Recife (PE) e Rio Grande do Norte. Após a validação e avaliação técnica, 149 iniciativas foram consideradas elegíveis. Entre os critérios analisados estavam a qualidade pedagógica, o potencial inspirador, a relação com o território e a contribuição para a Educação Baseada na Natureza.

No DF, os projetos escolhidos abordam temas como investigação científica, educação ambiental e monitoramento de recursos hídricos. Entre as iniciativas premiadas estão a Gincana da Sustentabilidade e um projeto de biomonitoramento dos córregos da Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) Granja do Ipê com macroinvertebrados bentônicos.

Sustentabilidade na primeira infância

No Pró-Vida Centro de Educação Infantil, o contato com o tema começa ainda nos primeiros anos. Crianças de 2 a 4 anos participam de atividades de separação de resíduos, plantio, colheita, cuidados com a horta e uso consciente da água.

A diretora da instituição, Samantha Leite, conta que a escola já realizava algumas dessas atividades quando surgiu a ideia da Gincana da Sustentabilidade. A intenção era envolver os alunos em uma ação ambiental e, ao mesmo tempo, arrecadar recursos para proporcionar uma experiência cultural às crianças, como um passeio ao cinema.

Desde 2024, a instituição mantém parceria com o Instituto Arapoti para o desenvolvimento de ações ambientais. O Pró-Vida também venceu a etapa regional do Circuito Ciências em 2024 e 2025, com os projetos do bioplástico e “Água para quê?”.

Uma das experiências que mais chamou a atenção dos alunos ocorreu durante uma visita ao Córrego Estiva, próximo à escola. Ao encontrarem lixo no local, as próprias crianças começaram a recolher os resíduos. A experiência ajudou a dar origem à gincana, que chegou à terceira edição com a participação da comunidade escolar.

“Quando a criança planta, cuida de uma horta, transforma um material que seria descartado ou participa de um desafio coletivo, ela percebe que também pode ser agente de transformação”, afirma Samantha.

Da escola para casa

A mudança de comportamento também começou a ser percebida pelas famílias. Segundo a diretora, algumas crianças passaram a reproduzir em casa o que aprenderam na escola e até a orientar os pais sobre a separação dos resíduos.

Em uma visita à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), por exemplo, uma criança decidiu guardar o próprio lixo porque não encontrou uma lixeira adequada para fazer o descarte. Em outros casos, pais relataram que os filhos pediram novas lixeiras em casa para que os resíduos pudessem ser separados corretamente.

Para Samantha, são situações que mostram como o conteúdo trabalhado com crianças pequenas também pode chegar aos adultos. “Quando uma criança muda seu olhar para o meio ambiente, ela também pode transformar os hábitos de toda a família”, diz.

Energia solar vira ferramenta de ensino

A premiação também terá um efeito prático no Pró-Vida. A instituição já possui placas de energia solar e trabalha o funcionamento do sistema com as crianças. Segundo Samantha, os alunos sabem que parte da energia utilizada no espaço vem do sol, mas aprendem também que isso não significa que ela possa ser desperdiçada.

Entre as orientações estão apagar as luzes ao sair da sala, não deixar lâmpadas acesas sem necessidade e tomar banhos mais rápidos. Com a premiação, a escola pretende ampliar o número de placas solares instaladas. Em uma etapa futura, a intenção é utilizar a energia também para aquecer as piscinas da instituição.

“Acreditamos que as crianças não são apenas o futuro, elas são o presente. Precisamos ensiná-las hoje a cuidar do meio ambiente para que possam ser agentes de transformação desde já”, destaca a diretora.

Resíduos ajudam a financiar passeio

Neste ano, os materiais recolhidos durante a Gincana da Sustentabilidade terão ainda outra finalidade. O dinheiro obtido com a arrecadação dos resíduos será usado para custear um passeio cultural para as crianças, previsto para ocorrer ainda em 2026.

Para a diretora, a proposta é fazer com que os estudantes entendam que o cuidado com o meio ambiente pode começar em ações simples do dia a dia. “Pode começar com uma pequena atitude dentro da escola, dentro de casa, e se multiplicar por toda a comunidade”, conclui Samantha.

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