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Brasília

Escolas do DF apostam em atividades lúdicas para prevenir bullying

Arquivo Geral

04/12/2017 6h59

Kléber Lima

Amanda Karolyne
redacao@grupojbr.com

Atividades lúdicas têm feito a diferença para prevenir o bullying em escolas do grupo Colinho de Mãe, localizadas na Asa Norte e Sobradinho. O método foca no desenvolvimento da educação socioemocional das crianças desde cedo: dos três aos 10 anos de idade.

São quatro anos utilizando a metodologia de ensino do psiquiatra Augusto Cury – Escola da Inteligência. A diretora administrativa do grupo Colinho de Mãe, Amanda Maia, explica que o método ajuda as crianças a lidar com os sentimentos delas e trabalha questões ligadas ao bullying, como o racismo. “Nós acreditamos numa educação integral, em que a educação emocional é importante tanto para o desenvolvimento motor quanto cognitivo”, destaca.

A diretora conta que assim é desenvolvida a resiliência e a melhora na autoestima dessas crianças. “É desenvolvida neles a questão de não ofender e não ter poder sobre o outro”, aponta. A diretora acredita que o bullying só vai ser efetivo quando a criança aceitar a ofensa. “Nós trabalhamos para que elas adquiram resiliência e não se deixem levar pelo bullying”, completa.

Animais

O método trabalha com animais de uma floresta e conta a história de personagens com características positivas e negativas. “Tudo relacionado à parte emocional é trabalhado com os bichinhos da floresta, em que todos têm características a desenvolver e melhorar”, comenta.

A profissional aponta que as crianças têm muito gosto em aprender, e acabam ajudando umas às outras a resolver os conflitos e situações apresentadas. Os jogos descontraídos despertam o interesse da criançada, que aponta quando percebe os erros da situação. Tudo isso é trabalhado por semestre, e os livros mostram os pontos-chave a serem desenvolvidos. “Mas não impede que outras questões que surjam em sala sejam trabalhadas dentro do contexto”, explica.

A escola também realiza sete encontros entre os pais e as duas psicólogas do grupo. Amanda comenta sobre os casos de bullying e as consequências, como no crime de Goiânia (GO), em que um aluno atirou contra colegas de sala, supostamente por ter sido vítima de bullying. “Se percebemos que algum comportamento está destoando, a gente chama a família para uma conversa, cria estratégias para mudar aquilo”.

Preconceito? Aqui não!

“Eu acho que bullying é tipo quando chamamos as pessoas de gorda”, define, aos 7 anos, o aluno do primeiro ano do Fundamental Emanuel Costa. Participante das atividades em torno da questão, ele gosta de resolver os desafios propostos. “A escola me ajuda a ser educado e a respeitar as pessoas, não praticando bullying”, conta.

Guilherme Rabelo, 9 anos, está aprendendo sobre relações saudáveis com a turma do terceiro ano. Ele acredita que os jogos e personagens da floresta viva ajudam a lidar com as diferenças e a respeitar. “Ajuda a gente a não ter preconceito, porque bullying é quando a gente não respeita quem é diferente da gente”, cita.

A Yasmin Rodrigues, 8 anos, destaca que a escola da inteligência ensina as crianças a não mentirem. “A gente tem que ser amigável com todo mundo, e não pode julgar se a pessoa é gorda, magra, pela cor da pele e coisas assim”.

A professora Hozana Xavier, 33 anos, acredita que o método de inteligência emocional resgata princípios que foram perdidos pela sociedade. “Muitos pais não ensinam mais os filhos a respeitar”, ressalta.
Ela já passou por escolas que não focavam no ensino emocional e sente a diferença. “Conseguimos ajudar a criança a expor as emoções dela. Às vezes até pelo que o personagem da floresta está passando, a criança se identifica”.

Os alunos mostraram alguns personagens da floresta. Guilherme e os amigos contam que ela foi destruída por meio de atitudes ruins dos animais, e o professor Corujão teve a ideia de ensinar boas ações. Um dos bichinhos é o javali Pepe. “Ele tem baixa autoestima e não se acha legal, mas é um bom amigo”, conta Guilherme.

Ponto de vista

Psicóloga especialista em desenvolvimento humano, adulto e infantil, Mariana Pinto afirma que se deve valorizar as escolas que têm esse olhar cuidadoso com o desenvolvimento emocional das crianças. “Com essas atividades, muitos conflitos e dificuldades futuras estão sendo prevenidos”, alerta. Ela acredita que esses conflitos podem ser motivados por uma falha de comunicação.

Para ela, a psicologia e a educação trabalham cada vez mais juntas quando se trata da infância. “Claro que é importante que o adulto acompanhe e procure cuidar do lado emocional, mas com as crianças é possível compreender as emoções e tentar se relacionar com isso de uma forma melhor”.

Mariana aponta que o professor precisa de um preparo também, e ele deve entender as dificuldades do aluno, dúvidas e vergonhas. “A escola precisa ser um ambiente seguro, de apoio e aprendizado para eles”, completa. E ela destaca que não precisa de muito investimento para focar no desenvolvimento emocional nas escolas.

Serviço

  • São três escolas do grupo Colinho de Mãe: uma unidade em Sobradinho, que atende turmas do jardim 2; a Pia-Máter na 904 Norte, e a unidade Colinho Baby na 706 Norte.
  • A unidade da 904 tem apenas nove meses de funcionamento. Para 2018, o grupo pretende montar uma minicidade para as crianças desenvolverem e trabalharem o conceito de cidadania.
  • Todas as professoras que fazem uso do método passam por um curso on-line anual. E elas também têm encontros para trocar experiências.
  • Para mais informações: https://www.colinhodemae. com.br.
  • Site da psicologa Mariana Pinto: www.cultivandopequenosamores.com.br.

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