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Brasília

Escola do DF simula esportes paralímpicos para inteirar jovens da realidade dos deficientes

Arquivo Geral

21/09/2016 7h00

As atividades foram do vôlei sentado aos olhos vendados. Angelo Miguel

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

Estudantes com mãos amarradas, vendas no rosto e fazendo aula de Educação Física sentados parece bem estranho. Contudo, esse foi o jeito que um colégio de Brasília encontrou para oferecer aos alunos a possibilidade de sentir um pouco a sensação de praticar um esporte paralímpico. Quem só viu pela TV, agora, pôde perceber a dificuldade.

A aluna do 3º ano do Ensino Médio, Karina Lira, 17 anos, chegou a uma conclusão: “No fundo, somos todos iguais. Não é porque alguém tem uma deficiência que deve ser tratado diferente”. Ela, que gosta de esporte, nunca tinha feito badminton, sobretudo com o braço esquerdo amarrado para simular a existência de só um membro. “É um experimento na pele. Ao mesmo tempo divertido e inclusivo”, afirma a estudante, que acompanhou pela primeira vez as Paralimpíadas pela TV e diz que amou ver os atletas. Carro-chefe das medalhas brasileiras na Rio-2016, a natação foi o esporte que mais a encantou: “Torci muito.”

Mais vezes

Essa é a terceira vez que a escola viabiliza um projeto como esse, sempre buscando aproximar as realidades distintas das pessoas.

Saiba mais

Nas próximas semanas, a escola vai trazer alguns atletas paralímpicos para conversar com os alunos e entender a experiência deles. No ano passado, esse mesmo evento atraiu muitos alunos.

A ex-atleta de basquete e professora de Educação Física Tammy Guimarães explica que o intuito do projeto era trazer a inclusão e fazer com que os alunos entendessem a importância do esporte como algo integrador. Ela lembra que na época em que estudava, a Educação Física era feita para tornar as crianças atletas, mas que não deve ser assim, porque quem não é bom no esporte, se sente desmotivado.

“A escola não é para formar atletas e, sim, para integrar os estudantes. Todos devem se sentir inclusos. Essa atividade que fazemos é um legado para o futuro dos estudantes”, afirma.

Com desejo de ser médica e o gosto de lidar com pessoas, Karina Lira entende que esse projeto a faz entender mais as individualidades de cada um. Ela ainda lembra que é incrível ver como os atletas paralímpicos se superam a cada ciclo de competições.

Experiência desafiadora

O paratleta Guilherme Costa, hoje, faz sucesso no mundo do tênis de mesa. Quando mais jovem, ele era um dos tantos estudantes do colégio que amava as aulas de Educação Física. Nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, Guilherme, que se tornou deficiente depois de ser atropelado, ganhou a medalha de bronze. Para a professora Tammy, essa vitória foi um símbolo de que a vida do atleta paralímpico não é fácil, mas pode se tornar vitoriosa com o incentivo certo.

Gabriel Sousa, 17 anos, também está no 3º ano do Ensino Médio e não chegou a conhecer o colega de escola ganhador de medalha. Ainda assim, sabe que a inclusão é importante para que tanto ele, sem deficiência, quanto Guilherme, com deficiência, consigam viver bem. “No início, foi bem estranho, mas depois fui me acostumando. É um desafio”, descreve.

A professora Tammy destaca que, como Guilherme, qualquer um pode se tornar um atleta paralímpico, já que muitos dos que participaram da Rio 2016 se tornaram esportistas depois de um contratempo da vida. “É uma responsabilidade nossa fazer com que a inclusão esteja presente no dia a dia dos alunos”, diz. Ela lembra que, há 20 anos, quando começou a dar aula, era muito diferente o pensamento das pessoas. “Hoje, a aceitação está bem melhor que antigamente”.

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