Por Tereza Neuberger
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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) condenou os nove integrantes de um grupo criminoso acusado de aplicar golpes em todo país por meio de sites de comércio eletrônico. A organização agia através da falsificação de boletos bancários gerando um prejuízo estimado em R$6 milhões a sites de vendas.
A operação denominada E-Commerce II, foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), sob a coordenação do delegado Rodrigo Carbone, em 2018. À época, a operação resultou em 14 prisões preventivas dos integrantes da organização criminosa acusados de praticar os crimes de lavagem de dinheiro, estelionato, organização criminosa, sonegação fiscal e falsificação de documentos no âmbito do Distrito Federal, Goiânia, Anápolis, Hidrolandia e diversas cidades do Brasil.
Segundo as investigações da PCDF, o grupo criminoso faturou mais de 12 milhões de reais, mediante o emprego de falsificação de boletos bancários e alteração de dados em comércio eletrônico no país todo.
Os criminosos falsificavam boletos de compras, e enviavam para as vítimas, a vítima efetuava a compra através de sites da internet acreditando que estaria pagando pelo boleto da sua própria compra, mas na realidade a vítima realizara o pagamento do boleto enviado pelos criminosos, que recebiam os produtos “comprados” pela vítima em um depósito na região do Cruzeiro-DF. No local chamou a atenção, que cada mercadoria possuía nota fiscal e estaria no nome de um destinatário, porém o endereço de destino era o mesmo para todas as mercadorias.
“A vítima pagava um falso boleto para a quadrilha enquanto acreditava estar comprando alguma coisa” explica o delegado, Rodrigo Carbone.
De acordo com a PCDF, após as fraudes, o grupo criminoso lavava o dinheiro do crime em estabelecimentos comerciais de fachada, localizados em Brasília-DF, Goiânia-GO e Anápolis-GO.
A facilidade que o grupo criminosos teve para realizar a lavagem de dinheiro em estabelecimentos comerciais do Distrito Federal e do Goiás, bem como o altíssimo grau de organização e complexidade das fraudes, foram apontados pelo delegado Rodrigo Carbone, como um fator que chamou bastante atenção durante as investigações.
A Polícia Civil monitorou o local e constatou que mais de 10 mercadorias eram entregues no local diariamente. Na época foram identificadas duas mulheres responsáveis por receber as mercadorias, que foram presas em flagrante.
Na operação deflagrada em 2018, para efetuar a prisão preventiva dos 14 integrantes do grupo, foram envolvidos mais de 200 policiais da PCDF, peritos contábeis,dois helicópteros e dois caminhões. A operação resultou na apreensão de 10 veículos, cerca de 200 smartphones lacrados, 70 notebooks, 20 placas de vídeos, centenas de documentos falsos, 300 mil reais em dinheiro e 19.200 garrafas de cerveja lacradas em poder da organização.
As penas dos integrantes condenados pela justiça variam de 47 a 53 anos de reclusão e 200 mil reais em multa, cada um, pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documentos.
Empresário Enganado
Um empresário de 30 anos, foi uma das vítimas do grupo criminoso com um prejuízo de 4,4 mil reias. Ele tem um estabelecimento comercial em que fazia compras diárias, e recebia o boleto para efetuar o pagamento em até 10 dias.
O empresário conta que em uma das compras com um fornecedor novo, o setor comercial da empresa recebeu um e-mail de que o boleto estaria errado por um erro no cálculo do imposto. Em seguida, eles mandaram outra via e a empresa efetuou o pagamento.
O empresário só desconfiou no dia seguinte, ao ser contatado pela empresa fornecedora alegando que não havia recebido o pagamento. “Eu achei estranho e mandei o comprovante de pagamento para eles. Foi nesse momento que eu descobri tudo. Percebi que tinha pago um boleto para outra pessoa. Peguei o máximo de informações possíveis sobre a origem do boleto e procurei a delegacia.”