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Brasília

Envelhecimento populacional pressiona rede de saúde no Brasil e DF

O aumento de pessoas acima de 80 anos eleva demandas por cuidados contínuos e internações prolongadas na rede pública do Distrito Federal.

Redação Jornal de Brasília

03/04/2026 13h56

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Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

O envelhecimento da população brasileira avança rapidamente, com impactos diretos na organização dos serviços de saúde, especialmente no Distrito Federal. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseados no Censo Demográfico de 2022, revelam que o país conta com cerca de 4,6 milhões de pessoas com 80 anos ou mais, conhecida como quarta idade. Essa faixa etária é a que mais cresce, enquanto a população jovem de 0 a 14 anos soma 40,1 milhões, representando 19,7% do total.

A expectativa de vida no Brasil atingiu 77 anos, com mulheres vivendo em média 80,5 anos e homens 73,6 anos. Essa tendência, marcada pela redução das taxas de natalidade e aumento da longevidade, amplia a presença de idosos em idades avançadas e exige adaptações na rede de saúde para promover autonomia e qualidade de vida.

No Distrito Federal, hospitais geridos pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), como o Hospital Cidade do Sol, registram maior número de pacientes idosos, muitos em internações prolongadas. O médico Álvaro Modesto, chefe de Núcleo Médico do Hospital Cidade do Sol, destaca que esse perfil altera a organização do cuidado. “Temos mais pacientes acima dos 80 anos, muitos com necessidade de acompanhamento contínuo e apoio para atividades básicas”, explica. Ele enfatiza a importância do suporte familiar, com filhos e cônjuges se adaptando a essa realidade.

O ortopedista Rodrigo do Carmo, chefe do serviço de ortopedia do Hospital de Base do Distrito Federal, reforça que o acompanhamento adequado após os 80 anos reduz riscos e preserva a autonomia. As unidades do IgesDF contam com equipes multiprofissionais para esse atendimento, incluindo cuidados com mobilidade, medicamentos, alimentação e clínica.

Um exemplo é Gilberto Gomes Barbosa, aposentado de quase 70 anos internado há três meses no Hospital Cidade do Sol por problemas cardíacos. Apesar da internação, ele mantém independência, sem necessidade de acompanhante permanente, e recebe visitas frequentes de familiares e amigos. A família se sente tranquila com o atendimento da equipe. Barbosa aproveita o tempo para produzir literatura e música, tendo cinco livros publicados e trabalhando em uma nova obra inspirada na experiência hospitalar.

Essa tendência é global, com projeções indicando que até 2050 o mundo terá cerca de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais. No Distrito Federal, o desafio é preparar a rede de saúde para garantir que a longevidade venha acompanhada de qualidade de vida e acesso a cuidados adequados.

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