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Brasília

Entre os parlamentares o engraxate dos deputados

Arquivo Geral

12/12/2013 7h10

Anderson Almeida, 36 anos, é o engraxate oficial da Câmara Legislativa. Desde que o órgão ainda funcionava no final da Asa Norte, ele é o responsável pelo brilho dos sapatos dos frequentadores da Casa, há mais de 20 anos. 

Nascido em Planaltina e criado em Ceilândia, onde vive até hoje, o trabalhador chegou à Câmara em 1991, ainda garoto, como vendedor de salgados. Aproveitando-se do fato de que a instituição era afastada e pouco assistida por lanchonetes, ele rapidamente se fixou nos seus arredores e fidelizou sua clientela.

“No primeiro dia levei dez salgados e vendi tudo. Como vi que a procura era grande, só fui aumentando a quantidade e sempre conseguia vender”, relembra.

A mudança de função aconteceu quando sua avó, que fazia os quitutes, começou a ficar com a saúde muito frágil para continuar com a parceria. Em busca de uma nova atividade, Anderson foi surpreendido por um amigo policial, que o presenteou com uma caixa de engraxar sapatos apreendida durante uma ação da polícia.

Dois pontos

Desde então, o engraxate, que é conhecido por todos, tem até crachá e autorização da segurança e da presidência da Câmara Legislativa para circular nas dependências do prédio. 

Anderson, que é casado e pai de um menino de 8 anos, sai de casa pontualmente às 8h e retorna às 18h. De terça a quinta-feira fica na Câmara e às segundas e sexta-feiras na Companhia Enérgica de Brasília (CEB).  

“Todo mundo conhece o Anderson aqui. Ele já é parte da Casa e acredito que ela é dele. Já engraxei os sapatos com ele muitas vezes. Ele é bom e muito simpático. Sou freguês”, comenta um deputado. Além de parlamentares, assessores, jornalistas, visitantes e mulheres também passam pela caixa do rapaz. Com os anos de experiência, Anderson diz que nem sente mais o peso da caixa de madeira (de quase cinco quilos) que carrega, exceto pelas dores recorrentes nas costas, que insistem em lembrá-lo. 

Ele atende, em média, dez pessoas por dia na Câmara e 40 na CEB. O valor cobrado por cada engraxada varia entre R$ 5 e R$ 15, dependendo da qualidade da tinta utilizada. Segundo o engraxate, em dias de sessão no plenário, seu ganho quase dobra. 

Política

Anderson também trabalhou como servente, mas não deu certo e ele voltou a engraxar. Ele lamenta não poder ter concluído os estudos. “Só fui até a quarta série, mas pretendo voltar em 2014”, conta. 

O rapaz diz que gosta de política e aprendeu muito sobre o tema. “Já recebi até propostas para ingressar na vida política. Eu gostaria de entrar, mas não tenho dinheiro para  bancar uma campanha eleitoral.”

Serviço

Atualmente, a maior necessidade de Anderson é uma cadeira, de madeira ou de ferro, para poder acomodar os seus clientes. As disponíveis no mercado são muito caras e ele não tem condições financeiras de  comprar. Quem quiser doar o móvel ou contratar os serviços do engraxate pode entrar em contato pelos telefones: (61) 9268-2116 ou (61) 8559-7366.

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