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Brasília

Enterro de vítimas de atropelamento no Gama é marcado por protesto

Arquivo Geral

30/08/2017 7h00

Atualizada 29/08/2017 22h04

Foto: Breno Esaki

Matheus Venzi
matheus.venzi@jornaldebrasilia.com.br

A punição do responsável foi o principal pedido na manifestação de parentes e amigos das vítimas do atropelamento que tirou a vida de três pessoas no último domingo, no Gama. O adolescente de 17 anos que dirigia o carro da mãe, embriagado, está apreendido. A caminhada de ontem reuniu pelo menos 150 pessoas. O ato se iniciou no local do acidente, na Quadra 24 do Gama Oeste, e terminou no cemitério da cidade, onde os corpos foram sepultados.

O velório ocorreu sob forte comoção e revolta. O pai e avô das vítimas, Man Sun Go, 66 anos, que também foi atropelado, recebeu alta do hospital e foi ao cemitério, mas deixou o local rapidamente, bastante abalado.

A manifestação contou com o apoio da Policia Militar, Corpo de Bombeiros e até do Detran. O pai da criança de dois anos que sobreviveu ao acidente, o brigadista desempregado Elton Henrique da Silva Freire, 23 anos, afirma que o ato serve para que o crime não vire apenas mais uma estatística. “Não é a primeira vez que uma pessoa embriagada no volante tira a vida de outra pessoa. O intuito é chamar a atenção para a fiscalização, para a sinalização. Essas vias daqui são perigosas e temos que dar um basta nisso”, desabafa.

Elton afirma que não foi fácil para a família realizar três enterros de uma vez. “A única coisa que me dá força é o meu filho, agora vou ser pai e mãe. Ontem mesmo ele sonhou com a mãe e ficou chamando por ela. Eu não podia fazer nada”, contou, bastante emocionado. A dor do brigadista é imensurável: Elton perdeu a esposa, o outro filho, que tinha seis meses, e a cunhada. Todos de uma vez.

Primo das vítimas, o empresário Sérgio Jesus de Sousa, de 33 anos, liderou a ação. Ele se mostrou revoltado com a sensação de impunidade do crime. “O nosso grito hoje é engasgado, um grito de dor, um sentimento de revolta pedindo justiça. Nós vão vamos deixar isso impune”, declarou.

Foto: Breno Esaki

Foto: Breno Esaki

Em princípio, o velório foi aberto apenas para familiares e, depois, liberado para a comunidade. O funcionário público Milton Rodrigues, 52, foi prestar soliedariedade aos parentes e amigos das vítimas. “É mais uma estatística a ser reduzida e o problema está distante de ser resolvido”, comenta.

Saiba mais

  • Apreendido pela quarta vez, o adolescente de 17 anos que atropelou a família e matou duas irmãs e um bebê vai ficar internado provisoriamente. A medida, que pode durar até 45 dias, precede absolvição ou sentença de até três anos, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
  • O adolescente foi ouvido pelo Ministério Público. Segundo o advogado André Toledo de Almeida, ele negou que estivesse bêbado, afirmou que pegou o carro escondido e que fugiu do local do acidente por medo da comoção pública. Os pais também foram ouvidos.

Velocidade alta é risco constante

Ana Emília, 38 anos, mora próximo ao local do acidente. Ela afirma que estava em casa no dia da tragédia e saiu na rua após ouvir um forte barulho. “Quando eu fui lá fora, vi os corpos no chão. Cheguei a ver os bombeiros tirando o corpo do bebê também”, conta. A moradora diz que acidentes são bastante comuns no local, pois os motoristas têm o costume de andar acima da velocidade permitida.

Na visão de Ana Emília, algumas lombadas na via poderiam reduzir os riscos. “Tem bastante criança na região. Quatro semanas atrás morreu um cavalo aqui atropelado. É um local perigoso, eu nem caminho por aqui com medo. Os carros passam pisando fundo mesmo” afirmou a moradora.

Já a brigadista Iris Pereira de Souza, 37 anos, ficou horrorizada com a violência. Também moradora da região do Gama, ela relata que ficou sabendo do acidente pela internet e, em seguida, resolveu ir ao local do crime.

“É muita violência no trânsito, tem que ter bastante cuidado. Mas o pior é que daqui a pouco ele [o suspeito] estar aí na rua de novo para causar outro acidente”, reclama.

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