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Brasília

Encontro católico: De troco em troco, a turma vai ao Rio

Arquivo Geral

02/05/2013 7h40

Com o espírito voltado ao serviço e à conversão, jovens do Distrito Federal se preparam para o maior encontro da Igreja Católica: a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). E o esforço para o grande encontro com o papa Francisco, que será entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro, começou bem antes do anúncio da visita do sumo pontífice ao País. 

 

Há meses, grupos de jovens e paróquias estão empenhados em arrecadar fundos para enviar seus representantes para a JMJ, que espera cerca de 2,5 milhões de fiéis de todo o mundo. Para que a verba seja suficiente para o envio dos peregrinos são organizadas rifas, eventos e venda de alimentos nas portas de igrejas e comércios, com o intuito de renovar a fé e a cara da instituição milenar.

 

Ressurreição

 

Na Paróquia da Ressurreição, em Ceilândia, os grupos se revezam na venda de lanches e rifas nos finais das missas para que os cerca de 300 jovens possam estar no encontro que ocorre pela primeira vez no Brasil. “Desde novembro temos vendido bolos, caldos e cachorros-quentes, entre outras coisas. Vamos com o objetivo de, além ver o Papa, passar por Ouro Preto (MG) para evangelizar”, diz Lucineide de Jesus, organizadora da caravana do Neocatecumenato da paróquia.

 

Os esforços não são só para estar na Jornada Mundial da Juventude. Segundo o assessor da Pastoral da Juventude do Centro-Oeste, Frei Henrique Arguilar Filho, fazer com que os jovens corram atrás de recursos é um exercício de espiritualidade: “Não é desleixo das paróquias não dar os recursos para eles participarem da JMJ, mas mostrar o valor dela. É uma questão pedagógica e uma forma de igualá-los, já que muitos não têm o básico.”

 

Espiritualidade

 

Frei Henrique, que também é orientador da Juventude da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Ceilândia, diz que o critério é o esforço pessoal de cada um. “A paróquia dá suporte com galinhadas, feijoadas e lanches. E há jovens que, por iniciativa própria, também fazem cestas de Páscoa e Dia das Mães para rifas, tudo para estar lá”, alegra-se.

 

Sem tempo para perder com passeios

 

Em um encontro como a Jornada Mundial da Juventude não há só a parte bela, com pregações e espiritualização. Existe o sacrifício de peregrinos que se aglomeram em casas de voluntários e escolas. Por isso, Frei Henrique alerta: “A jornada não é um passeio. Haverá dias em que os jovens sequer conseguirão tomar um banho, em que terão que pegar fila para ir ao banheiro. Por isso, têm que se preparar para exercitar o espírito.”

 

O corretor Humberto César Jacaúna, 29 anos, participou de duas JMJs – Sydney (2008) e Madri (2011). “A gente vai para evangelizar e levar o amor. O mundo está virado de cabeça para baixo. O Brasil já não é mais tão católico assim”, lamenta Humberto. 

 

Renovação

 

O estudante Gustavo Elisson, 17, estará pela primeira vez no evento e tem motivos parecidos com os do veterano. “A vinda do papa Francisco nos motiva para irmos até o Rio de Janeiro. Estar lá, com pessoas de tantos lugares, nos dará experiência e abrirá um leque cultural, com uma igreja presente junto ao jovem”, diz. Segundo ele, o papa trará renovação.

 

O coordenador do grupo Jovens a Serviço de Cristo (JSC), Warney André da Silva, que vai para a JMJ em quatro ônibus, acredita que a escolha do novo Papa é um marco na reconstrução da Igreja Católica. “Ele veio para arrebatar a Igreja e levar o jovem ao serviço. O importante é evangelizarmos”, fala.

 

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