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Brasília

Empresário é preso com pelo menos 50 mil materiais de pornografia infantil no Sudoeste

Arquivo Geral

09/12/2015 18h10

Após receber dois vídeos em que um homem protagonizava cenas de sexo com um menino, morador de Taguatinga, e com uma menina, a Polícia Civil prendeu, nesta quarta (9), A. F. C., 37 anos. Durante o mandado de busca e apreensão na residência do empresário, no Sudoeste, aparelhos eletrônicos com pelo menos 50 mil imagens de crianças e adolescentes foram apreendidos, além de uma caixa com várias calcinhas infantis. 

Como o crime de armazenamento de material pornográfico infantil é afiançável, o homem vai responder em liberdade após pagar fiança de R$ 10 mil.  

Assim que as crianças que aparecem nos vídeos, que levaram a polícia até o suspeito, forem identificadas, A. F. C. vai responder por duplo estupro de vulnerável, podendo pegar pena de oito a 15 anos de prisão. “Os vídeos são antigos e ainda não encontramos os menores”, afirmou o delegado-chefe da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Wisllei Mendes. “As investigações continuam para saber se ele tem participação em outros vídeos e se participa de alguma rede de pornografia na internet”, completou.

Na casa do empresário, foram apreendidos dois notebooks, um celular, duas filmadoras, uma câmera fotográfica e nove HD’s. “Em apenas um arquivo aberto, encontramos mais de 150 fotos com imagens de crianças nuas”, confirmou Mendes. O material apreendido foi encaminhado para perícia no Instituto de Criminalística para análise. Pela manutenção de fotos pornográficas de crianças, a pena vai de um a quatro anos de prisão.

Homem confessou produção de filmes

Em depoimento, A. F. C. revelou que as fotos encontradas foram retiradas da internet, mas admitiu ter produzido os vídeos enviados para a Polícia Civil. “Ele ainda disse que a menina que aparece nas filmagens é filha de um parente que não reside no Distrito Federal”, acrescentou o delegado. O menino, que aparece em outra gravação, é morador de Taguatinga. 

Denuncie

O delegado adverte os pais a terem cuidados com os filhos na internet. “É bom manter um certo controle da criança nas redes sociais, ficar de olho e não deixá-las até tarde no computador”, notificou. “É preciso uma liberdade vigiada para que esse tipo de crime possa ser evitado”, completou Wisllei. Conversar com as crianças sobre esse assunto também é importante. “É melhor prevenir com um diálogo aberto”, sugeriu.

Os internautas podem denunciar crimes de pornografia infantil, genocídio, tráfico de pessoas e crimes de ódio por meio do portal da Polícia Federal.

No entanto, se o crime não tiver sido cometido por uma página da internet, deve-se utilizar o serviço Disque 100 ou procurar a delegacia mais próxima. 

Relembre

Comentários em redes sociais a respeito de uma criança de 12 anos, participante do programa Masterchef Junior, trouxeram à tona o debate sobre a chamada cultura de estupro no país e o assédio a meninas.

Usuários do Twitter postaram mensagens que incitavam a violência sexual contra a participante-mirim do programa de culinária.

O debate cresceu nas redes sociais e o projeto Think Olga criou uma campanha, com a hashtag #primeiroassédio, para que mulheres contem quando foi a sua primeira experiência de violência e, dessa forma, mostrar que o problema é bastante comum.  

A procuradora da República Priscila Costa Schreiner, coordenadora do Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal (MPF) paulista, informou  que é necessário estimular as denúncias sobre assédio e apologia de violência contra crianças pela internet.

Segundo Schreiner, a tendência é que a família envolvida prefira deletar imediatamente as publicações ofensivas na rede. Contudo, os procuradores recomendam que é necessário manter o máximo possível de provas e qualquer indício que pode ser visto como crime e encaminhar uma denúncia formal ao Ministério Público Federal.

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