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Brasília

Embrapa Hortaliças apresenta tecnologias de produção orgânica de tomate

Arquivo Geral

08/09/2009 0h00

O tomate é uma das hortaliças mais exigentes e suscetíveis a doenças. Por isso, obter sucesso na sua produção é um desafio, sobretudo em sistema orgânico. Mas um conjunto de tecnologias adaptadas e desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) pode ajudar o agricultor orgânico a melhorar a qualidade e ampliar sua safra.


Foi isso que mais de 150 produtores e técnicos da extensão rural conheceram no último dia 27, durante um dia de campo realizado pela Embrapa Hortaliças, em parceria com a Emater-DF e o Sindicato dos Produtores Orgânicos do DF (Sindorgânicos). “As tecnologias mostradas no evento são a base para o desenvolvimento de um sistema de produção orgânica mais adequado para tomate”, explica o pesquisador Francisco Vilela Resende, coordenador do programa de agricultura orgânica da Unidade.


No evento, foram demonstradas informações sobre cultivares avaliadas em sistema orgânico, formas de condução da lavoura, adubação do solo, irrigação e manejo de pragas e doenças. Francisco Resende aponta a carência de materiais desenvolvidos para sistema orgânico como um dos principais entraves para esse tipo de produção. “As cultivares disponíveis no mercado foram desenvolvidas para responder a um pacote tecnológico que inclui adubos químicos e agrotóxicos. Quando isso é retirado, a planta não tem a mesma resposta”, afirma. Para ele, o problema só será sanado com ampliação da oferta de materiais específicos para a produção orgânica.


Na estação sobre adubação do solo, a pesquisadora Ronessa Bartolomeu e Souza apresentou a tecnologia de utilização de fibra de coco verde para produção de substrato para mudas. A pesquisadora também mostrou diferentes estratégias para garantir a nutrição do tomateiro, como produção de composto orgânico, Bokashi e biofertilizantes. “Esses três adubos podem ser feitos com materiais que o produtor encontra em sua propriedade e a utilização de todos eles é muito importante para garantir a nutrição adequada do tomateiro. Com relação à irrigação, o pesquisador Waldir Aparecido Marouelli apresentou as vantagens e desvantagens de diferentes maneiras de irrigar a planta, como sulcos, gotejamento e aspersão. Mas o maior destaque foi para o manejo da irrigação. “Independente do tipo de irrigação, o mais importante é que o produtor saiba quando irrigar e quanta água utilizar. A falta ou o excesso de água podem favorecer o surgimento de doenças, retirar os nutrientes do solo por meio da lixiviação, ou reduzir o crescimento da planta, causando queda de produtividade”, explica.


Para fazer esse controle, o pesquisador mostrou métodos simples, como a utilização de um amostrador de solo (trado), até o uso de equipamentos sofisticados, como os tensiômetros, com destaque para o Irrigas, um aparelho desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, que permite o controle da irrigação a um custo mais baixo. A irrigação por aspersão também é um método natural de controle de pragas do tomateiro. Esse foi um dos tópicos abordados pelo pesquisador Miguel Michereff Filho, que falou sobre o manejo ecológico de pragas. Ele explica que essa estratégia busca restabelecer o equilíbrio ambiental da área de cultivo, sobretudo com a ampliação da diversidade de espécies. Nesse contexto, outras estratégias recomendadas por estudos da Embrapa Hortaliças são o consórcio do tomate com coentro ou outras plantas aromáticas, que atuam com repelentes de pragas e atrativos de inimigos naturais, e o cultivo de plantas de entorno, como crotalária, sorgo e capins. De acordo com Miguel Michereff, o manejo ecológico de pragas é uma estratégia preventiva, que trará resultados a médio e longo prazo. Em caso de infestação, o pesquisador apresentou práticas complementares de controle de pragas, como o uso de inseticidas biológicos, para controle de lagartas; da vespa Trichogramma pretiosum, para controle de ovos de mariposa, e inseticida botânico a base de óleo de nin indiano, para controle de lagarto e mosca branca.


O pesquisador Carlos Alberto Lopes abordou o manejo de doenças em tomate. Ele explicou que essa hortaliça é atacada por mais de 200 doenças e que o controle tem duas etapas: a primeira é impedir que os agentes causadores de doenças entrem na área de produção e a segunda é evitar que a doença se espalhe, uma vez que ela já infectou as plantas. Para fazer isso, o produtor deve tomar uma série de cuidados, que envolvem a preparação do solo, a utilização de mudas e sementes sadias, a escolha correta da época de plantio, além do manejo adequado da irrigação e da adubação. O pesquisador destacou ainda a tecnologia de solarização, desenvolvida pela Embrapa Hortaliças. “A solarização provoca um ‘efeito estufa’ no solo, que reduz a sobrevivência microrganismos patogênicos, que são aquelas causadores de doenças, ao mesmo tempo que estimula microrganismos benéficos ao à produção”, afirma. Outra tecnologia apresentada foi a utilização de porta-enxerto com resistência a doenças. Atualmente a Embrapa recomenda o Havaí, um material de tomate domínio público resistente à Ralstonia.

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